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PauloWeb: Competidor, organizador de torneios e professor de Street Fighter V

PauloWeb: Competidor, organizador de torneios e professor de Street Fighter V
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Campeão de eventos como o Treta, o Fight in Rio e a ESL Brazil Premier League, pro player fala sobre crescimento como criador de conteúdo e metas para 2022

PauloWeb: Competidor, organizador de torneios e professor de Street Fighter V

“Sou um competidor, mas um dos meus principais objetivos é contribuir para que outros jogadores tenham a chance de evoluir seu jogo e também entrem na cena competitiva se tiverem esse desejo”. Um dos principais nomes do cenário brasileiro de jogos de luta, o jogador Paulo “PauloWeb” Júnior surgiu na cena como um jogador de destaque em Marvel vs Capcom 3, jogo no qual conquistou o primeiro grande título da carreira: o Treta 2015. Com o lançamento de Street Fighter V, em fevereiro de 2016, Paulo decidiu migrar de jogo após a sensação de “missão cumprida” com o título do Treta, e rapidamente alcançou títulos e campanhas de destaque no título da Capcom. Entre as principais conquistas do jogador, estão os títulos do Fight in Rio 2018, uma das etapas oficiais da Capcom Pro Tour, e a ESL Brazil Premier League, também conquistada em 2018.

A trajetória de PauloWeb, contudo, não se resume aos títulos e campanhas de destaque em grandes eventos. Além de competidor, ele se destaca hoje como organizador de torneios, coach de Street Fighter V e também ganhou notoriedade pelo lançamento do livro “Guia de Street Fighter: O Raciocínio por Trás dos Botões”. O material foi publicado gratuitamente em agosto de 2019 em formato digital e também ganhou uma edição física após uma bem-sucedida campanha de financiamento coletivo.

Como organizador de campeonatos, Paulo foi um dos idealizadores do circuito de torneios presenciais Fight Lagos, disputado em Cabo Frio, cidade natal do jogador localizada na Região dos Lagos, interior do Rio de Janeiro. Após o começo da pandemia de Covid-19, Paulo criou o circuito de torneios online PogChamp, que surgiu como um evento temático com uma série de regras específicas, mas que em 2021 adotou o modelo de eventos da Capcom Pro Tour e rapidamente se tornou um dos principais circuitos de Street Fighter V do país.

Além do PogChamp, PauloWeb criou no segundo semestre de 2021 o Vale 100, um evento que sempre conta com dois jogadores conhecidos ds FGC se desafiando no formato FT 10, no qual o primeiro jogador que chegar a 10 vitórias leva a melhor no confronto. O evento conta sempre com duas lutas por edição, e os vencedores de cada confronto se encaram numa final, na qual o vencedor fatura o prêmio de R$ 100. Além dos duelos com vários dos melhores competidores de SFV do Brasil, a edição mais recente do Vale 100 foi internacional, contando com a participação de Derek "iDom" Ruffin, campeão da Capcom Cup 2019, e de outros três jogadores de destaque da cena norte-americana: Arturo "Sabin" Sanchez, oponente de iDom no Vale 100, Christopher "ChrisCCH" Hancock e Manjot “Jot” Toor.

Em entrevista ao MGG Brasil, PauloWeb conta que vive hoje “o melhor momento da carreira profissionalmente”, conciliando as aulas de Street Fighter V com o lado produtor de conteúdo. Ele, por outro lado, admite que a rotina prejudicou, em parte, o seu lado competidor, e que tem como uma das grandes metas para 2022 retomar a rotina de treinos e participar com mais frequência de campeonatos semanais, além de mirar a conquista de títulos que garantam vaga em eventos internacionais.

O começo de tudo: dos fliperamas de KOF ao sucesso em Marvel vs Capcom 3

A história de PauloWeb não é tão diferente da maioria dos competidores de jogos de luta na faixa dos 30 anos (o jogador do Rio de Janeiro tem 32 anos hoje). Na década de 1990, ele disputava campeonatos de bairro em games como The King of Fighters 94 e 95 e Street Fighter, “num tempo em que o termo esports nem existia”. Durante muitos anos, porém, Paulo entrou em hiato nos torneios, e em 2007 se mudou de Cabo Frio para Niterói para cursar jornalismo na Universidade Federal Fluminense (UFF). Paulo se formou em 2010, e no ano seguinte foi lançado o jogo que o fez retornar aos campeonatos de jogos de luta, mas desta vez com um foco muito maior em conquistar títulos: Marvel vs Capcom 3.

“Depois que eu comecei a trabalhar, ganhar meu próprio dinheiro, comprei meu Xbox 360, comecei a jogar o Marvel vs Capcom 3 e me apaixonei de cara pelo jogo. O online dele era muito ruim com o sistema de delay, mas eu jogava mesmo assim. Foi nessa época que eu conheci várias pessoas de Niterói e São Gonçalo que também jogavam e comecei a marcar e praticar com elas. Nesse período, também conheci muita gente da comunidade de Street Fighter IV, pois muitos dos eventos de jogos de luta que tinham torneios de Marvel 3, também tinham de SF IV, e vice-versa. Eu não gostava de jogar o SF IV, mas gostava muito de assistir aos torneios, e foi nessa época que conheci o Brolynho, Chuchu, Keoma e vários outros nomes de destaque da cena”, conta.

Nos anos seguintes, Paulo se tornou um dos melhores jogadores de Marvel vs Capcom 3 do país, mas faltava ainda um título na carreira: o Treta, maior evento de jogos de luta do Brasil. Em 2015, ele finalmente conquistou o título do evento, e pouco depois deixou o competitivo do game com a sensação de dever cumprido. Após um curto hiato, Paulo retornou à rotina de torneios em 2016, mas agora apostando suas fichas em Street Fighter V.

“Lá por volta de 2015, pela falta de novos conteúdos, o Marvel 3 começou a dar uma caída, e fui perdendo o interesse pelo jogo, mas passei o ano todo treinando para ganhar o Treta e consegui ser campeão. Após conquistar esse título, senti que havia encerrado meu ciclo do Marvel vs Capcom 3 da melhor forma possível. Eu já havia vencido outros torneios no Marvel 3 e era muito conhecido pela comunidade também pelos meus vídeos de combos no YouTube, inclusive com vários deles aparecendo em sites internacionais bem conhecidos da FGC, como o Event Hubs e o Shoryuken, mas eu queria muito o título do Treta para fechar a minha história no Marvel vs Capcom 3. Deu aquela sensação de missão cumprida. Pouco depois, migrei para o Street Fighter V”, relata.

Paulo admite que embora goste de Street Fighter V, o jogo nunca despertou nele a mesma paixão que Marvel vs Capcom 3, mas isso não o impediu de se tornar um dos melhores jogadores do Brasil. Em 2018, o jogador teve a melhor temporada da carreira, conquistando os títulos do Fight in Rio e da ESL Brazil Premier League, mas lamenta não ter vencido as finais latino-americanas da Capcom Pro Tour 2018, torneio que dava uma vaga na Capcom Cup daquele ano.

“Quando foi lançado o Street Fighter V, eu quis me dedicar a aprender o jogo e entrar para valer no cenário competitivo. Eu teria a chance de começar junto com todo mundo, então não teria uma desvantagem tão grande, por mais que quem já jogasse o Street Fighter IV tivesse, naturalmente, uma certa vantagem no comecinho de vida do V.

"O SFV nunca bateu tão forte no meu coração quanto o Marvel 3, mas eu gosto bastante do jogo mesmo com os problemas que ele teve lá no início. Em 2018 eu tive uma temporada muito boa, vencendo o Fight in Rio, que era uma das etapas oficiais da Capcom Pro Tour, e a Brazil Premier League da ESL. Meu grande objetivo era vencer as finais da CPT LATAM para conquistar uma vaga na Capcom Cup. Joguei muito bem o torneio, mas acabei ficando em quinto e não consegui a vaga."

Lançamento do Guia de Street Fighter V

PauloWeb foi um dos criadores de conteúdos escolhidos para divulgar o evento de Street Fighter em Free Fire (Foto: Thiago Lopes)) - Jogos de Luta
PauloWeb foi um dos criadores de conteúdos escolhidos para divulgar o evento de Street Fighter em Free Fire (Foto: Thiago Lopes))

Em 2019, Paulo continuou tendo participações de destaque em torneios importantes do Brasil, como o terceiro lugar no Fight in Rio e o quarto lugar no Battle Coliseum, mas o grande destaque daquele ano foi o lançamento do livro “Guia de Street Fighter: O Raciocínio por Trás dos Botões”. Àquela altura, Paulo já havia lançado um curso gratuito de Street Fighter, que contou com cerca de 200 interessados, dos quais 30 deles foram selecionados por Paulo para as aulas. Depois disso, o jogador teve a ideia de lançar um material compilando os conteúdos ensinados aos jogadores novatos.

Inicialmente, a meta de financiamento coletivo para o lançamento do do livro era de R$ 2 mil, mas o apoio da comunidade foi tão grande que o valor arrecadado passou de R$ 9 mil e o projeto cresceu de escopo, com muito mais conteúdos, contratação de um ilustrador para o livro e o lançamento da edição física com materiais de muito melhor qualidade do que o orçamento inicial permitia.

“Eu tenho uma visão mais coletiva das coisas, de compartilhar meu conhecimento e minha experiência com outras pessoas. Foi desse sentimento que surgiu a ideia de fazer um livro bastante completo, com uma série de orientações que pudessem ajudar outras pessoas a evoluir no Street Fighter V, tanto jogadores casuais que quisessem simplesmente melhorar para as ranqueadas, quanto pessoas que quisessem aprofundar seu conhecimento para ingressar no competitivo. Embora o e-book tenha recebido uma versão física, limitada a alguns interessados no livro de papel, o foco do financiamento e da divulgação sempre foi a versão digital — totalmente gratuita. Qualquer pessoa que quisesse aprender Street Fighter pode baixá-lo em diferentes formatos, como PDF, EPUB e Kindle

“O guia foi um projeto que nasceu do meu desejo de ajudar outras pessoas, de como fazer um combo, como melhor explorar as habilidades de um personagem, e compartilhei nesse material todo o conhecimento que eu adquiri ao longo dos anos e que me ajudou a me destacar como competidor. Felizmente, o feedback foi extremamente positivo. O Guia de Luta foi publicado em agosto de 2019 e hoje só conta com a versão digital, que continua disponível para download gratuito. E por mais que eu seja o autor do livro e o responsável pela organização do conteúdo, várias outras pessoas contribuíram para o guia, então gosto de dizer que ele é um projeto feito pela FGC para a FGC.”

Coach de Street Fighter, streamer e organizador de torneios

Com o sucesso do livro, várias pessoas procuraram PauloWeb para que ele começasse a dar aulas de Street Fighter V de forma paga, e o pro player se refere a este momento como uma virada em sua carreira. Paulo explica que foi neste momento que os jogos de luta finalmente se tornaram uma fonte de renda regular, algo que, até então, ele nunca havia conseguido como pro player de Marvel vs Capcom 3 e Street Fighter V, uma realidade que é a regra nos fighting games, especialmente no Brasil. A partir daí, ele passou a investir nas aulas de SFV, além de ter crescido como streamer da Twitch nesse período, o que também lhe ajudou a ter uma estabilidade maior enquanto criador de conteúdo. Hoje, Paulo é streamer parceiro da plataforma de lives da Amazon e conta com mais de 12 mil seguidores.

“Foi aí que eu comecei a ganhar um dinheiro mais substancial com jogos de luta, porque o dinheiro de premiação de torneios de jogos de luta no Brasil costuma ser baixo, e não dá para viver disso por aqui. Nem mesmo as etapas brasileiras da CPT (Capcom Pro Tour) este ano tiveram premiação, fomos a única região do mundo que passou por isso. Não dá para viver disso se você não tem patrocínio, e quase ninguém tem, mesmo entre os melhores jogadores do Brasil. Patrocínio de fato no SFV por aqui, com salário digno e suporte da organização, só o Brolynho teve quando foi jogador da F3 (FlipSid3 Tactics)”, frisa.

“Quando vi que o coaching poderia ser uma boa fonte de renda, comecei a investir nisso, melhorando minha estrutura de trabalho, gravando as lutas em HD dos meus alunos para as análises das lutas.”

Em 2020, Paulo viveu o que ele mesmo considera como “um ano de virada” em sua carreira. Consolidado como coach de Street Fighter V e agora com lives regulares na Twitch, o competidor e criador de conteúdo passou a viver exclusivamente de trabalhos relacionados aos jogos de luta. Em 2021, com o crescimento do circuito PogChamp, que inclusive chegou a aparecer na home da Twitch em algumas edições e, com isso, tinha uma audiência multiplicada em até 20 vezes, Paulo decidiu criar um MEI (microempreendedor individual), visando profissionalizar todos os seus trabalhos.

Parceria com Free Fire e destaque em torneios

Professor de Street Fighter V, PauloWeb também produziu um livro para voltado para evolução de novos jogadores (Foto: Arquivo pessoal)) - Jogos de Luta
Professor de Street Fighter V, PauloWeb também produziu um livro para voltado para evolução de novos jogadores (Foto: Arquivo pessoal))

Dentro desse contexto, o jogador e criador de conteúdo foi um dos streamers brasileiros escolhidos pela Garena para divulgar o evento “Craque da Porrada”, evento de Street Fighter dentro de Free Fire. Paulo já estava no processo de criação de um CNPJ na época, mas precisou acelerar o processo para não perder a oportunidade de participar da parceria com a Garena.

“Uma empresa séria que quiser me contratar como host de um torneio de SFV, por exemplo, não pode simplesmente me fazer um PIX, ela precisa declarar aquele pagamento, e eu ter um MEI facilita muito toda essa parte burocrática. Isso inclusive passa mais credibilidade para quem quiser contratar um serviço meu. Estou aprendendo a ser empresário agora, e tenho até que fazer alguns cursos, pois dividir as contas da vida empresarial e da vida privada é um pouco difícil e requer um certo estudo”, enfatiza.

“Um exemplo recente disso foi o evento de parceria de Street Fighter com o Free Fire, que aconteceu em julho. Eu, o Keoma e o Brolynho fomos convidados pela Garena a fazer lives em nossos canais mostrando o evento de Street Fighter dentro do Free Fire, mas eles pediram meu CNPJ para fazerem o pagamento e eu ainda não tinha um, embora já estivesse criando um na época. Eu acabei acelerando o processo para poder fazer esse trabalho e deu tudo certo no fim.”

E se o ano de 2021 foi de boas parcerias, inclusive com as finais de diferentes edições do circuito PogChamp tendo patrocínio de marcas como Razer e Overclock, competitivamente Paulo também teve campanhas de destaque em grandes eventos, especialmente no primeiro semestre. O jogador ficou em 4º lugar na primeira edição CPR Brazil 2021, foi vice-campeão do LG UltraGear e foi um dos 8 finalistas do Inter World Open: South America. As boas campanhas nestes dois últimos eventos renderam, somadas, uma premiação de US$ 3 mil (R$ 16,7 mil, na cotação atual do dólar).

Paulo, no entanto, admite que o crescimento enquanto criador de conteúdo, coach e organizador de torneios o fizeram se dedicar menos ao aspecto competitivo, mesmo com os bons resultados, e tem como meta organizar a própria agenda em 2022 para se decicar mais aos treinos e rotina de torneios.

“Ao mesmo tempo que eu cresci como coach e criador de conteúdo, isso prejudicou um pouco meu lado competidor, pois eu já não conseguia mais treinar como antes ou participar de torneios com a mesma frequência. Mesmo assim, tive esses bons resultados na CPT, no torneio da Intel e do LG UltraGear. Tenho me dedicado mais a este lado de produtor de conteúdo, pois é onde vislumbro um futuro melhor no aspecto financeiro, foi uma escolha de carreira que eu fiz. Mesmo assim, eu tenho como objetivos para 2022 voltar a disputar mais torneios e me dedicar mais aos treinos, mas para isso eu tenho que organizar muito bem a minha agenda, pois não gosto de fazer nada pela metade. Se eu for me dedicar ao competitivo, tem que ser pra valer”, conta.

Vale 100 internacional e streamer oficial da YupCup

Neste fim de ano, Paulo teve outros dois momentos de destaque como organizador de eventos: o Vale 100 internacional com jogadores dos Estados Unidos, com destaque para iDom, campeão da Capcom Cup 2019, e a YupCup Warm-Up, evento inaugural em parceria com a Yup, nova rede social voltada para profissionais do universo dos games e esports.

PauloWeb destaca que durante a organização do Vale 100 internacional, o contato com os jogadores que participaram do evento foi “o mais informal possível”, com a maioria das conversas acontecendo via DM (mensagem direta no Twitter). Ele ressalta que costuma interagir com iDom nas lives do jogador norte-americano, e que toda a conversa com ele e os demais jogadores foi muito rápida.

“O convite para o Idom foi muito tranquilo. A minha ideia com o Vale 100 é fazer lutas que o público fique empolgado em assistir, e aí eu fiquei com a ideia de fazer uma edição internacional do evento. O iDom eu já conhecia por conversar com ele várias vezes nas lives dele, ele já me parabenizou por resultados em torneios, e quando eu o chamei na DM do Twitter, ele aceitou de cara e foi extremamente solícito. Ele, como campeão de Capcom Cup, poderia dar uma desculpa qualquer e não topar, mas foi exatamente o contrário”

Paulo explica ainda que tinha a ideia de promover uma luta entre iDom e Punk, os dois melhores jogadores dos Estados Unidos hoje em Street Fighter V, reeditando também a grande final da Capcom Cup 2018, mas que Punk não pôde participar por questões pessoais.

“O Punk me respondeu rápido também, foi muito educado e simpático, mas disse que não poderia participar. Aí eu fui buscando alternativas entre os jogadores que têm se destacado na cena norte-americana e cheguei ao Sabin (4º colocado do Intel World Open: North America West e da CPT Online 2021: North America East 1), que imediatamente me respondeu aceitando. Também tentei o MenaRD (campeão da Capcom Cup 2017), o Justin Wong (9 vezes campeão da EVO), e eles também não puderam participar, mas eu queria fazer um segundo card para o evento, como faço nas edições brasileiras. Foi assim que cheguei ao ChrisCCH (campeão do Intel World Open: North America West) e ao Jot (3º colocado da EVO Online: North America West)”, explica.

“O Vale 100 em si nem era atrativo pela premiação, ainda mais para o Idom, que ganhou US$ 250 mil só com título da Capcom Cup. Até fizemos um Matcherino (plataforma de financiamento coletivo para premiações de torneios) para que os jogadores recebessem em dólar, mas os jogadores claramente não participaram pelo dinheiro, pois não era uma premiação grande para eles. Foi pelo desejo de participar de um evento de exibição para a comunidade brasileira de jogos de luta, e foi muito legal da parte de todos eles terem topado participar. Foi muito espontâneo e natural da parte deles, e essa valorização da nossa cena foi a parte mais legal do evento.”

A YupCup, por outro lado, foi um torneio no qual PauloWeb foi escolhido como host do evento, e segundo ele próprio teve “total autonomia” para sugerir as regras para a edição de aquecimento do torneio, que contou com participação de 16 participantes: 15 convidados mais o vencedor do Last Chance Qualifier. Todas as lutas seguiram o formato MD5, e no fim o jogador HorusPaulin, campeão da EVO Latam South 2021, foi o vencedor. Para o ano que vem, já estão confirmadas outras duas edições da YupCup de Street Fighter V, com premiações totais de R$ 4 mil e R$ 5 mil, respectivamente.

“Como o site da Yup ainda não foi oficialmente lançado e eles queriam aproveitar esse hype de fim de ano de o Street Fighter V estar lançando seu último personagem, o Luke, o torneio foi organizado mesmo antes de o site sair da fase beta, tanto que o SFV foi o único jogo com um evento de aquecimento, enquanto os outros jogos (League of Legends, Wild Rift e Valorant) só terão os torneios no ano que vem mesmo", conta.

“O campeonato também serviu como um evento de teste, pois eu mesmo tive que fazer duas transmissões, uma com o layout tradicional, exibida ao vivo para o público, e outra com clean feed, somente com o áudio do próprio jogo, então também foi um desafio para mim. Eles me convidaram para tocar o evento e foi uma experiência muito legal. Eles também têm uma parceria com a Challenger Mode, que é um site para organização de torneios que não é tão conhecido aqui no Brasil, e toda a bracket (tabela) do torneio rodou por lá. Ou seja, em vários aspectos foi um desafio para mim também, mas um desafio legal.”

Reconhecimento profissional e planos para o futuro

E se 2021 marcou uma virada profissional para Paulo em várias frentes, o competidor e organizador de torneios projeta que 2022 seja um ano de mais parcerias com empresas e sucesso como criador de conteúdo. Ele comemora o reconhecimento da comunidade e marcas que tem investido em eventos de jogos de luta, e espera um crescimento ainda maior para o próximo ano.

“Apesar de todos os problemas por causa da pandemia, 2021 foi um ano profissionalmente muito positivo para mim, de novos horizontes e no qual eu expandi muito a minha visão profissional sobre os jogos de luta e sobre os esports enquanto negócio. Acho que isso é positivo não apenas para mim, mas também para a comunidade, porque é bom ter um organizador de torneios que tem essa interlocução com as empresas conhecendo também o lado dos jogadores, pois eu também sou um competidor e sei quais são nossas principais demandas”, avalia.

“A nossa comunidade precisa de torneios bem estruturados, com premiação melhor, e tenho dado o meu máximo para que a gente alcance isso. Já demos alguns passos importantes, mas ainda precisamos melhorar muita coisa para tornar os fighting games mais profissionais no Brasil. Para 2022, minha ideia é crescer ainda mais o circuito PogChamp, além de continuar aberto a novas parcerias, desde que haja uma contrapartida para a FGC. E, por fim, espero conciliar melhor todos esses trabalhos com o meu lado competidor, pois eu também sinto falta disso e quero também ficar em evidência nos torneios. É um trabalho de formiguinha, mas estou determinado a seguir nesse caminho.”

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Gabriel SALES
Gabriel Sales

Jornalista apaixonado por games desde o jardim de infância e fã de quase todo tipo de RPG, especialmente os da série Chrono. Nos esports, shooters e jogos de luta são minhas maiores paixões, mas abraço qualquer jogo com uma cena competitiva pulsante.

Carlos Badbrain há 4 meses

Matéria muito legal, bem completa :) É muito bom ver o Paulo tendo esse espaço para que mais pessoas conheçam o seu trabalho e tudo o que faz pela cena

Matheus Souza há 4 meses

Membro de grande importância pra cena nacional, parabéns pela iniciativa da matéria, surpreendentemente completa, esse tipo de cobertura fortalece nossa comunidade e nos ajuda a expandir a cena além de dar o devido crédito a toda dedicação do Paulo a FGC BR. Apenas recomendaria uma revisão rápida do primeiro e quarto parágrafos que estão com dois errinhos mínimos. Parabéns novamente, GG.

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