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De Mogi para o mundo: conheça a história de Konqueror, top 4 no Dragon Temple de MK 11

De Mogi para o mundo: conheça a história de Konqueror, top 4 no Dragon Temple de MK 11
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Jogador brasileiro já conciliou trabalho como repositor de supermercado com treinos e teve desempenho elogiado por SonicFox e Tekken Master após quarto lugar em campeonato internacional de Mortal Kombat

De Mogi para o mundo: conheça a história de Konqueror, top 4 no Dragon Temple de MK 11

Histórias de superação nos esports nem sempre se resumem a vencer um adversário mais preparado, experiente ou contratado por uma grande organização. Muitas vezes essa superação começa no próprio cotidiano, seja na hora de conciliar trabalho, estudos e treinos ou até mesmo no processo de aprovação de um visto para disputar um mundial para o qual você conquistou a vaga após provar ser um dos melhores, ou o melhor, de seu continente. Quarto colocado no Dragon Temple de Mortal Kombat 11, campeonato internacional do game de luta NetherRealm realizado na Ucrânia na semana passada, Wellington de Castro, o Konqueror, já sentiu isso na pele.

Porém, mesmo diante de obstáculos que apareceram ainda quando um dos maiores nomes dos fighting games do país havia recém-completado a maioridade, o jovem de Mogi das Cruzes, hoje com 22 anos, nunca desistiu de alcançar o reconhecimento internacional no gênero competitivo que escolheu construir sua história. E se o título do Dragon Temple não veio, conquistar o respeito dos maiores nomes da cena de Mortal Kombat tem para Konqueror um significado quase tão grande quanto um título.

“Receber o reconhecimento de gente como SonicFox, que ganhou praticamente tudo que disputou nos jogos da NetherRealm (Injustice e Mortal Kombat) e Tekken Master (campeão do Dragon Temple), que me disse que a luta mais difícil que ele teve no torneio foi contra mim, mostra o quanto eu evoluí meu jogo e o quanto a cena brasileira de MK está forte hoje. Saí de lá bem orgulhoso do que fiz.”

No Twitter, SonicFox destacou a enorme evolução de Konqueror desde o Final Kombat, campeonato mundial de Mortal Kombat disputado em março deste ano, em Chicago, destacando "as leituras e comprometimento no ponto" do brasileiro ao longo do torneio. Tekken Master, que venceu Konqueror por 3 a 0 na semifinal da chave dos vencedores, mas com as duas primeiras lutas da série decididas nos detalhes, foi ainda mais eufórico: "Muito respeito pelo Konqueror. Esse cara é uma besta!"

Já Dizzy, que derrotou Konqueror na BGS 2019 e no Final Kombat, mas não passou da fase de grupos no Dragon Temple, enalteceu as "enormes melhorias" no jogo do brasileiro desde a última vez que os dois se enfrentaram.

O Dragon Temple reuniu alguns dos melhores jogadores da cena de Mortal Kombat. Além de Tekken Master, terceiro colocado na última EVO e campeão do evento na Ucrânia, o torneio também teve nomes como Foxy Grampa, top 5 na EVO 2019, e Hayatei, outro que ficou entre os oito melhores da EVO do ano passado. Konqueror entrou no torneio como único representante da América Latina. Por ser o campeão da última edição da Liga Latina de MK 11, o convite não deveria ser uma surpresa para o brasileiro, mas não foi exatamente como ele reagiu quando recebeu um e-mail avisando sobre o torneio, ainda em setembro.

“Quando eu recebi um e-mail em inglês, com um convite para um campeonato presencial na Ucrânia, no meio dessa pandemia e que nem era organizado pela Warner, não botei muita fé. Respondi o e-mail confirmando que ia participar para ver no que dava, já que não tinha nada a perder mesmo. Quando me incluíram no grupo de Whatsapp e vi o nome do Tekken Master, do F0xy Grampa, do Dizzy, do Hayatei, aí vi que o negócio era sério mesmo”, brinca o jogador.

Chegando ao Dragon Temple na surdina

Após perceber que o Dragon Temple era “para valer”, Konqueror teve um desafio quase tão grande quanto enfrentar alguns dos melhores jogadores do mundo no torneio: guardar segredo dos amigos. Como está acostumado a participar de “todo tipo de campeonato”, como ele mesmo frisa, o jovem de Mogi precisou ter força para não revelar que já estava a caminho da Ucrânia enquanto rolava a primeira etapa online da Liga Latina de Mortal Kombat 11.

“Ninguém entendeu nada quando eu disse que eu não ia participar, porque todo mundo na comunidade sabe que eu sempre tô jogando os torneios. Eu queria muito contar para a galera, mas não podia, e acabou que o pessoal só soube que eu estava na Ucrância quando foi feito o anúncio oficial dos participantes.”

Dragon Temple reuniu alguns dos melhores jogadores de diversos países (Foto: Divulgação/WePlay Esports) - Jogos de Luta
Dragon Temple reuniu alguns dos melhores jogadores de diversos países (Foto: Divulgação/WePlay Esports)

Mas a história de Konqueror em campeonatos é muito anterior ao Mortal Kombat 11, e sua entrada no competitivo de uma das séries mais famosas dos fighting games só ocorreu porque o jogador é fã dos personagens de Liga da Justiça. Com o lançamento de Injustice: Gods Among Us, em 2013, Konqueror começou a participar de alguns torneios locais entre os 15 e 16 anos, e o bom desempenho mesmo sem levar o jogo tão a sério ligou um alerta na cabeça do jogador.

“Eu comecei a pegar alguns top 8 e top 5 com pouco tempo de jogo, e aí percebi que se eu treinasse, poderia ficar bom naquilo. Na época de moleque nos fliperamas, eu era mesmo Kofeiro [gíria para jogadores de The King of Fighters], e nunca liguei tanto para Mortal Kombat. Mas quando comecei a disputar os campeonatos de Injustice e vi que Mortal Kombat era do mesmo estúdio, acabei migrando para o Mortal Kombat X em 2015, pois a cena de Injustice 1 ia morrer rápido quando MKX saísse”, explica.

E foi justamente no MKX que "a coisa começou a ficar séria". Mais dedicado ao jogo e usando o personagem Shinnok, Konqueror rapidamente se consolidou entre os melhores jogadores do Brasil e da América do Sul. Em 2015, aos 17 anos, ele conquistou o título do AMG, maior campeonato de jogos de luta de Minas Gerais e um dos mais importantes do país na época, e o terceiro lugar no Treta Championship, a EVO brasileira.

Os resultados em 2016 foram ainda melhores, e Konqueror faturou os títulos do Fight in Rio e da ESL Challenger Cup, campeonato sul-americano de Mortal Kombat X organizado pela ESL. No Treta, ele ficou com o vice-campeonato, ao Tadashi “Tadz” Uehara. O adversário mais frequente de Konqueror nas fases avançadas desses eventos, contudo, era o amigo e rival de longa data Bruno "KillerXinok" Sousa.

“O MKX foi o jogo no qual eu firmei meu nome no competitivo no Brasil, e eu quase sempre ficava pelo menos no top 3 dos principais campeonatos daqui. O KillerXinok sempre foi meu maior rival no jogo e o principal nome do país nos eventos internacionais, mas jogar com ele sempre foi muito bom, porque nós dois evoluíamos o nosso jogo, e é assim há anos já.”

Um desafio mais difícil do que o esperado: o visto

E se os anos de Mortal Kombat X foram dourados para Konqueror, a expectativa do jogador foi ainda maior com o lançamento de Injustice 2, em 2017. Embora a NetherRealm tenha criado um circuito competitivo focado no game de luta com heróis e vilões da DC, ele não abandonou os campeonatos de MKX, passando pela primeira vez a se dedicar ao competitivo de dois jogos simultaneamente.

No entanto, Konqueror enfrentou naquele ano uma jornada tripla, aliando o trabalho de repositor em um supermercado aos estudos em um curso técnico de mecânica e os treinos nos jogos da NetherRealm. Em decorrência disso, não pôde participar do Fight in Rio e do Treta naquele ano.

“Trabalho em supermercado é muito puxado, você não tem fim de semana e não dava para simplesmente largar o trabalho e ir jogar os campeonatos. Fiquei muito frustrado em não poder jogar o Fight in Rio e o Treta, que são eventos que eu faço questão de ir todo ano, mas não teve jeito”, lamenta.

Quarto lugar no Dragon Temple rendeu a Konqueror o prêmio de US$ 5 mil (Foto: Divulgação/WePlay Esports) - Jogos de Luta
Quarto lugar no Dragon Temple rendeu a Konqueror o prêmio de US$ 5 mil (Foto: Divulgação/WePlay Esports)

A maior frustração daquele ano ainda estava por vir. No fim de 2017, Konqueror foi vice-campeão da Liga Latina de Injustice 2, e o resultado lhe garantiu uma vaga no Injustice 2 Pro Series Grand Finals, campeonato mundial com premiação total de US$ 200 mil. A euforia de disputar seu primeiro grande evento internacional, porém, deu lugar à tristeza, uma vez que ele não teve seu visto aprovado para entrar nos Estados Unidos.

“Costumo dizer que o processo do visto é um sub-boss mais difícil que o próprio final boss, que é o campeonato em si. Parece que querem pegar qualquer erro mínimo seu, qualquer sinal de nervosismo para negar seu visto e vários brasileiros que vão disputar campeonatos lá fora já passaram por isso. Foi um baque grande na época.”

Em 2018, Konqueror mais uma vez ficou entre os melhores do país em jogos da NetherRealm. No Fight in Rio, venceu o campeonato de Mortal Kombat X e foi vice no Injustice 2, e ainda faturou o título dos dois jogos no MMA Exp daquele ano. Nas finais brasileiras da Liga Latina de Injustice, ficou em terceiro lugar, mas o melhor estaria por vir no ano seguinte.

Com o lançamento de Mortal Kombat 11, toda a cena competitiva de jogos da NetherRealm no Brasil voltou seus olhos para o novo game da série, que tinha ritmo mais cadenciando que o MKX, barras defensivas e ofensivas e um sistema de Fatal Blow extremamente punitivo. No país, ninguém parece ter se adaptado melhor ao jogo do que Konqueror, que teve um primeiro ano recheado de grandes resultados.

Após o vice-campeonato no Fight in Rio, o jogador conquistou o título do Treta Championship e chegou à BGS, que recebeu um evento internacional Tier 1 da Pro Kompetition como uma das principais esperanças do Brasil. Konqueror acabou ficando em quarto lugar após perder para o inglês Dizzy, que na sequência eliminou Killerxinok e fez uma final de estrangeiros com Tekken Master, carrasco dos brasileiros no evento e campeão do torneio.

“Aquele foi um evento que me deixou muito frustrado - eu e todos os BRs. Uma final gringa na nossa casa foi de doer, e eu saí de lá determinado a não deixar isso acontecer nas finais da Liga Latina, que aconteceriam uns meses depois, no comecinho de 2020.”

E foi por muito pouco que não tivemos uma outra final gringa no Brasil. Último representante do país no torneio e vindo da chave dos perdedores, Konqueror aplicou um 3 a 0 sobre o chileno HeeyGeorge na final dos perdedores e garantiu o título latino-americano ao bater o colombiano Euphoring com um duplo 3 a 1 na grande final, classificando para o Final Kombat. Dessa vez, porém, Konqueror superou o sub-boss aprovação de visto, mas não sem uma dor de cabeça antes.

“Na primeira vez que tentei, o visto foi negado. Na segunda, tive suporte da Warner e foi bem mais tranquilo, imprimi todas as matérias que falavam do meu título na Liga Latina e da classificação para o Final Kombat. Quando o visto finalmente foi aprovado, aquilo para mim já teve o peso de um título”, desabafa.

Título da Liga Latina garantiu Konqueror no Final Kombat de Mortal Kombat 11 (Foto: Divulgação/Warner Play) - Jogos de Luta
Título da Liga Latina garantiu Konqueror no Final Kombat de Mortal Kombat 11 (Foto: Divulgação/Warner Play)

Aprendizado no Final Kombat e planos para o futuro

No mundial de MK 11, a primeira e tão aguardada experiência internacional de Konqueror, pela qual o brasileiro merecia ter passado ainda em 2017, ele acabou saindo sem vitórias. Após encarar logo de cara o americano Ninjakilla, segundo melhor jogador do mundo da modalidade e atrás apenas de SonicFox, Konqueror teve um reencontro com Dizzy, seu algoz na BGS, e acabou derrotado por 3 a 2. Apesar do resultado, o brasileiro saiu com a sensação de ter evoluído bastante em relação ao confronto anterior.

“Dei um azar grande em pegar o Ninjakilla logo de cara no sorteio, mas minha luta contra o Dizzy foi bem melhor que a da BGS. Não saí do torneio triste, pois era uma primeira experiência fora do país e senti que meu jogo tinha evoluído", comenta o jogador.

A sensação de evolução se mostrou correta. Mesmo diante de um cenário de pandemia, Konqueror seguiu competindo em torneios online da Kombatklub e venceu vários deles, incluindo as finais do circuito. Ele acredita que o bom nível de jogo dos brasileiros o preparou para o Dragon Temple e espera que em 2021, quando a vacinação contra a Covid-19 já estará acontecendo ao redor do mundo, possa competir em mais eventos internacionais, acompanhado de uma “tempestade brasileira” do Mortal Kombat.

“Uma coisa que ficou clara para mim é que o nível do MK 11 no Brasil é muito alto e vários dos jogadores daqui podem enfrentar os caras lá de fora de igual para igual. No Dragon Temple só perdi para os caras que tem Major de MK no currículo, Tekken Master, F0xy Grampa e Hayatei, e as duas primeiras lutas contra o Tekken Master foram decididas nos detalhes. A gente está se organizando para disputar uns torneios na Europa no ano que vem, pois lá não tem tanto esse problema do visto, e tenho certeza que podemos fazer bonito”, projeta.

E ainda que o top 4 no Dragon Temple seja motivo de orgulho para Konqueror, o que ele deseja de fato é conseguir pelo menos um top 8 num torneio com inscrições livres e status de Tier 1 da Pro Kompetition. Para o garoto de Mogi que sempre conquistou tudo “na raça”, é preciso mais do que jogar em alto nível num evento para o qual ele foi convidado.

“Nada se compara a entrar num Major com 300 competidores, sair das pools e ir avançado no top 64, top 32, top 16, até chegar ao top 8. É disso que eu vou em busca no ano que vem. Aí sim vou ter provado para mim mesmo que sou capaz de encarar qualquer um nos grandes campeonatos”, exclama o jogador, que embora jogue apenas de Sub-Zero no MK 11, faz piada de seu pouco conhecimento sobre a história do ninja do gelo e sobre a lore de Mortal Kombat como um todo.

“Até pouco tempo atrás eu nem sabia que ele era irmão do Noob Saibot. E até hoje eu não zerei o modo história do MK 11”, brinca.

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