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HorusPaulin: Das ranqueadas de Rainbow Six ao título da EVO Latam de Street Fighter V

HorusPaulin: Das ranqueadas de Rainbow Six ao título da EVO Latam de Street Fighter V
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Conheça a história do jogador que representará o Brasil na EVO Showcase, em Las Vegas

HorusPaulin: Das ranqueadas de Rainbow Six ao título da EVO Latam de Street Fighter V

"Quando eu entrei naquela arena para acompanhar a Pro League de Rainbow Six no Rio, sabia que de alguma eu tinha que estar nesse universo dos esports, da forma que fosse". A declaração parece típica de um jogador que se apaixonou pelo FPS da Ubisoft e, posteriormente, entrou no cenário competitivo de R6, mas o carioca Paulo “HorusPaulin” Moura escreveu uma história muito diferente do que ele próprio esperava, e acabou se tornando um dos melhores jogadores da América Latina de Street Fighter V, chegando ao auge da carreira com o recente título da EVO Latam South, edição online do maior evento de jogos de luta do mundo.

Figura em ascensão nos torneios online de Street Fighter V desde 2020, o estudante de jornalismo não era um aficionado pelos fighting games até um passado recente, embora disputasse algumas partidas casuais de The King of Fighters 2002 e Mortal Kombat 9 com os amigos. No entanto, desde que começou a se dedicar aos campeonatos de SFV, Paulo tornou-se uma das figuras mais conhecidas da cena brasileira, tanto pelo bom desempenho em torneios, quanto pelas streams matinais em seu canal na Twitch, que lhe renderam inclusive o apelido de “porteiro da CFN (Capcom Fighters Network)”, pois faz parte do grupo de jogadores que costumam “abrir” as partidas ranqueadas do game da Capcom todos os dias.

Em entrevista ao MGG Brasil, HorusPaulin fala sobre a paixão pelos games desde criança, o período de tristeza que antecedeu sua ascensão no Street Fighter V e a preparação para EVO Showcase 2021, evento presencial que será disputado entre 27 e 28 de novembro, em Las Vegas, e reunirá os campeões de todas as edições regionais da EVO Online 2021.

O “clique” para o cenário competitivo

HorusPaulin se tornou um dos melhores jogadores da América do Sul com o personagem Ed - Jogos de Luta
HorusPaulin se tornou um dos melhores jogadores da América do Sul com o personagem Ed

HorusPaulin sempre foi uma criança caseira e que dedicava boa parte do tempo livre aos videogames. Quando morava no sítio da avó, em Jacarepaguá, Paulo aproveitava ao máximo o tempo livre jogando no Mega Drive. Ele conta que desde muito jovem, sempre teve o desejo de trabalhar no universo dos games de alguma forma, e a própria escolha pela faculdade de jornalismo passou por isso: “Se eu não pudesse ser um competidor, queria pelo menos trabalhar cobrindo essa área”, resume o campeão da EVO.

“Eu não era uma criança que curtia muito ficar na rua, então realmente passava grande parte do tempo jogando videogame, ainda mais que eu morava em sítio. Só aos 9 anos, quando me mudei para o condomínio onde moro hoje, que eu comecei a fazer a amigos e sair um pouco mais de casa, mas àquela altura eu já estava ‘tomado’ pelos games, que sempre foram minha principal diversão no tempo livre. Naquela época, ninguém imaginava viver de games, muito menos como competindo, mas eu sempre gostei muito daquele universo e queria, de alguma forma, trabalhar com aquilo”, relata.

Os anos se passaram, e quando HorusPaulin já era um adolescente no final do Ensino Médio, conheceu o Rainbow Six Siege. No entanto, enquanto o cenário competitivo se desenvolvia principalmente nos PCs, ele jogava o FPS do Ubisfot no Xbox One, que embora tivesse alguns campeonatos, não era a plataforma na qual os principais torneios eram realizados. Ainda assim, ele participou de alguns eventos menores, mas nunca se considerou um jogador de alto nível.

“Eu peguei o jogo logo no lançamento (dezembro de 2015) e gostei muito logo de cara, mas console não é bem o lar dos jogos de tiro. Os campeonatos mais importantes eram todos no PC, e eu não tinha uma máquina boa para rodar o jogo e nem grana para um montar um, então era um sonho muito distante para mim. Eu não sei se eu realmente fui bom um dia, ainda mais vendo o nível dos profissionais, mas para as limitações de jogar num controle, acho que eu mandava bem”, frisa.

Penetra no Meet & Greet da Pro League de R6

Pro League de Rainbow Six do Rio de Janeiro foi vencida pela G2 - Jogos de Luta
Pro League de Rainbow Six do Rio de Janeiro foi vencida pela G2

Depois de alguns anos jogando R6, Paulo teve finalmente a chance de assistir a um grande campeonato internacional do game: a Pro League Season 8, disputada no Rio de Janeiro em maio de 2018. O jogador, à época com 19 anos, nunca havia estado em um grande evento de esport e acabou se encantando com tudo que viu ali.

“Eu já fui ao Maracanã ver jogo do Flamengo algumas vezes na vida, mas sempre fiquei de boa, tranquilão. Mas quando eu assisti à Pro League, vi aquela produção toda e a arena lotada, tive certeza de que tinha que estar naquele meio de alguma forma”, enfatiza. Naquela ocasião, a G2 acabou derrotando os brasileiros da Faze Clan por 2 a 0 na grande final, mas a maior história de HorusPaulin não tem relação com as partidas que assistiu nos dois dias de evento, e sim com um momento “penetra” na área de Meet & Greet.

“Eu fui para o evento com um crachá da 99 por dentro de uma camisa social, todo arrumadinho, e estava com uma câmera de mão filmando tudo. Acabei entrando na área de Meet & Greeet como se fosse um profissional credenciado da imprensa e fiquei um tempão ali, conversando com um monte de gente, batendo foto, filmando tudo”, relembra o jogador.

O deck de Yu-Gi-Oh que proporcionou o PC Gamer

Antes do Street Fighter, HorusPaulin era um aficionado por Yu-Gi-Oh - Jogos de Luta
Antes do Street Fighter, HorusPaulin era um aficionado por Yu-Gi-Oh

Como sempre foi um jogador de console, o grande sonho de consumo de HorusPaulin em 2018 era comprar um Xbox One X, à época o console mais potente do mundo, mas faltava um detalhe importante para a aquisição: o dinheiro. O atual campeão da EVO Latam South, no entanto, disputava campeonatos do card game Yu-Gi-Oh regularmente, e contava com um deck bastante valioso. Após sua "aposentadoria", Paulo decidiu vender todas as cartas que tinha, e arrecadou mais de R$ 3 mil de uma vez. Mas, em vez de comprar o Xbox One X, o jogador acabou convencido por um amigo a montar um PC.

“Eu disputava vários campeonatos que rolavam lá na Tijuca e em Ipanema, mas sempre fiz muito mais dinheiro trocando e vendendo cartas do que com as premiações dos campeonatos em si, e seguir no competitivo era muito caro, então eu decidi parar de jogar”, explica.

“Quando eu vendi tudo de uma vez só, recebendo toda a quantia das cartas em dinheiro vivo, eu estava determinado a comprar um Xbox One X, pois eu nunca tinha comprado um console no lançamento, sempre esperava uns três, quatro anos. Mas aí, o Victor, um dos meus melhores amigos, me convenceu a montar um PC. Eu já tinha uma placa 1050Ti e uma fonte, mas faltava todo o resto. Ele viu tudo que eu precisava, botou tudo no carrinho e acabou me convencendo, e é aí que a minha história no Street Fighter começa”

Muitas ‘surras’ e derrotas até se consolidar na elite

Foi apenas no fim de 2018, quase três anos após o lançamento de Street Fighter V, que HorusPaulin finalmente comprou o jogo da Capcom, mas sem qualquer pretensão competitiva na ocasião. Pouco após montar o PC gamer, o jogador viu o jogo numa promoção por R$ 15, que dava acesso ao elenco-base do jogo, com 16 personagens, e decidiu adquirir o título. Nos tempos de Xbox 360, Horus jogava Mortal Kombat 9, mas ele próprio admite que seu conhecimento sobre jogos de luta era extremamente limitado.

“O único ‘combo’ que eu sabia fazer em jogos de luta era voadora e banda, eu nunca tinha me interessado a aprender de fato. Não sabia os fundamentos, não conhecia os termos, nada disso. Até que eu vi o Street Fighter V em promoção e eu fui assistir a uns vídeos para ver como era o jogo, e nessa pesquisa eu acabei vendo a luta em que o Brolynho, que era o melhor jogador de SFV da América do Sul na época, venceu o Infiltration (sul-coreano seis vezes campeão da EVO) na ELEAGUE. Comecei a ver mais vídeos do SFV, curti e acabei comprando o jogo”

No começo, HorusPaulin estava determinado a jogar de Necalli, mesmo personagem com o qual Brolynho venceu Infiltration na ELEAGUE, mas tudo mudou quando ele caiu numa partida ranqueada contra um jogador que usava o personagem Ed com a skin de Nero, da série Devil May Cry. Paulo gostou do visual de Ed sem saber que aquela roupa específica não era a original do personagem, e sim a skin inspirada em Nero. Para piorar, o boxeador não estava no elenco-base do jogo, e Horus precisaria comprá-lo à parte.

“Eu achei a skin maneirona, o boneco maneirão, com uns combos bem estilosos, e decidi que ia tentar jogar com ele, mas aí eu vi que ele não tava entre os personagens da versão básica, e quase desisti do jogo. Mas eu tinha uma skin de uma faca de CS:GO que valia uns R$ 20. Vendi e comprei o Ed, e foi aí que eu vi que a skin do Nero não era a skin dele e precisava ser comprada à parte. Fiquei tristão na hora, mas continuei jogando”, relata.

O começo no competitivo foi complicado, pois HorusPaulin ainda estava longe do nível para enfrentar os melhores jogadores do país, mas ele começou a participar dos primeiros torneios no estado do Rio de Janeiro. O Fight Lagos, evento presencial disputado em Cabo Frio até pouco antes do começo da pandemia de Covid-19, foi o primeiro torneio oficial do jogador, e o resultado, naturalmente, não foi muito animador.

“Eu era rank Gold ainda na época, jogava igual um lunático, e no Fight Lagos Ediçao 1, meu primeiro torneio, eu enfrentei o PauloWeb, que já era um dos melhores jogadores do Brasil na época. Ele pegou o Blanka, que nem era um personagem que ele costumava jogar, e me deu uma surra. Eu não tive qualquer chance, foi horroroso. Eu só apertava um monte botão e rezava para dar certo, mas eu queria ficar bom naquilo.”

A ascensão nos torneios online

Foi somente após o começo da pandemia de Covid-19 que HorusPaulin começou a realmente ganhar destaque na cena de jogos de luta. Após trancar a matrícula na faculdade na jornalismo e o término de relacionamento com uma ex-namorada, o jogador passou a se dedicar ao jogo e melhorou gradualmente seu desempenho em torneios, começando a avançar às fases finais das principais competições online do país a partir do segundo semeste, aparecendo com mais regularidade no top 8 de eventos como o BR Kumite e o PogChamp. Em 2021, Horus elevou ainda mais seu nível de jogo e começou a ganhar esses torneios e ter ótimos desempenhos inclusive em finais de circuitos. Na última segunda-feira (23), inclusive, ele se sagrou campeão das finais do circuito PogChamp: Temporada Olímpica.

“Desde o segundo semestre do ano passado, eu fui percebendo a minha evolução. Mergulhei nas rankeds, passei a estudar de fato o jogo e fui me aprimorando com o Ed. Comecei a enfrentar os caras mais fortes do Brasil de igual para igual, vencer torneios e passei a ter o meu nome mais respeitado, mas para isso eu precisei devorar o jogo e levei muita surra até chegar ao nível eu estou hoje.”

Já consolidado como um dos principais jogadores do país, HorusPaulin conquistou uma das oito vagas para a final brasileira do Intel World Open de Street Fighter V, evento promovido em parceria com os Jogos Olímpicos de Tóquio e disputado em julho deste ano. Paulo chegou à etapa que classificaria quatro jogadores do país às finais sul-americanas do campeonato, mas acabou tendo um desempenho muito abaixo do que ele e todo o público esperavam, perdendo duas séries MD5 por 3 a 0.

“Eu nunca tinha jogado um campeonato daquele porte, e quando vi a produção do evento, com vários narradores e comentaristas que eram gigantes na cena da FGC, eu tiltei totalmente, não tenho problema nenhum em admitir. Eu havia treinado muito para o torneio, todas as possíveis match ups, mas na hora não coloquei em prática nada do que eu estudei, absolutamente nada. Eu nem consegui ficar revoltado com o meu desempenho no campeonato, quando eu fui eliminado eu só fiquei aliviado por ter acabado”, desabafa.

A Glória na EVO e planos para o futuro

A solidez de desempenho de HorusPaulin, no entanto, não era obra do acaso, e a volta por cima do jogador viria pouco depois, em outro grande evento da temporada: a EVO 2021 - Latam South. O torneio contou com 262 participantes e reuniu os melhores jogadores da América do Sul, e o jogador do Rio de Janeiro fez toda a trajetória pela chave dos vencedores, sem perder lutas. Na grande final, ele enfrentou o rival e amigo Diego “Dark” Lins, também do Rio, faturou o título do torneio e garantiu vaga na EVO Showcase, em Las Vegas.

Uma curiosidade a respeito do torneio, no entanto, é que HorusPaulin quase perdeu o prazo de inscrição para o evento, pois achava que o campeonato seria exclusivo para jogadores de PlayStation 4. Mesmo quando inscrito, ele se esqueceu da data do torneio, e foi lembrado da competição ao conversar com o amigo Ronaldo “RondaldinhoBR” Mendes, atual campeão da etapa brasileira da Capcom Pro Tour, no próprio dia do evento, poucas horas antes.

“Sendo bem sincero, acho que foi até melhor assim. Eu joguei bem tranquilo, apesar de todos os problemas de lag com jogadores da América do Sul, e consegui fazer o meu jogo. Eu não sabia que o evento tinha premiação em dinheiro, não sabia da vaga na EVO Showcase, de nada disso. Fui com o emocional muito bom, o que não aconteceu no torneio da Intel, e consegui vencer. O próprio fato de a final ter sido com o Dark, que é um grande amigo que fiz na FGC, me ajudou muito também, pois mesmo que eu perdesse a final, ficaria feliz por ele.”

Agora classificado para EVO Showcase, HorusPaulin destaca que irá se preparar da melhor forma possível para o torneio, manterá a aposta em Ed para todas as lutas, mas procura não jogar muita pressão sobre os próprios ombros. Caso consiga o visto para entrar nos Estados Unidos, ele procurará aproveitar a experiência da EVO para além do torneio.

“Acho difícil eu conseguir o visto, não só pelo contexto da pandemia e péssima gestão do governo federal em relação ao Covid, mas também porque não estou trabalhando hoje e não tenho qualquer tipo de renda fixa. A sorte é que até lá eu já terei tomado as duas doses da vacina. Mas, caso eu consiga essa aprovação, eu estou determinado a aproveitar tudo que essa experiência tem a me oferecer. Nunca viajei para fora do país, então quero curtir a viagem, colocar esse meu inglês meia-boca para funcionar, conversar com toda a galera que estiver lá na EVO e fazer o meu jogo. Não vejo muita gente jogando em alto nível com o Ed no mundo, e acho que isso pode me ajudar no torneio. Agora é meter a cara ainda mais no jogo e estudar”, projeta o jogador.

E apesar dos títulos recentes conquistados e a vaga conquistada na EVO Showcase, HorusPaulin considera que sua maior vitória desde que entrou para a comunidade dos jogos de luta são as amizades feitas nos últimos anos e o reconhecimento de adversários que ele sempre admirou e hoje se tornaram amigos do "porteiro da CFN".

"Eu nunca me senti tão parte de uma comunidade como sou hoje na FGC. A gente se enfrenta nos campeonatos toda semana, mas no fim vários dos seus adversários se tornam grandes amigos, e sempre que um de nós vai disputar um torneio lá fora, os outros jogadores se unem para ajudar na preparaçãoe torcem pelo sucesso de quem nos representa. Para mim, isso tem um valor absurdo. Agora que estou aqui, acho quase impossível eu sair da FGC, mesmo se eu parar de competir um dia", conclui.

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Gabriel SALES
Gabriel Sales

Jornalista apaixonado por games desde o jardim de infância e fã de quase todo tipo de RPG, especialmente os da série Chrono. Nos esports, shooters e jogos de luta são minhas maiores paixões, mas abraço qualquer jogo com uma cena competitiva pulsante.

Carlos Badbrain há 8 meses

Muito Legal a matéria! Pensar que tudo começou com a venda das cartas de Yu Gi Oh<br /> Boa sorte ao Paulin na Matchup mais difícil que é a do visto. Com certeza vai mandar bem lá fora

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