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Sacy: "Meu objetivo é criar uma dinastia, a era LOUD no Valorant"

Sacy: "Meu objetivo é criar uma dinastia, a era LOUD no Valorant"
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Em entrevista após chegada da LOUD ao Brasil, jogador enfatizou que almeja conquistar pelo menos mais dois títulos mundiais com a camisa da organização

Sacy:

Campeã mundial de VALORANT ao conquistar no último fim de semana o título do VALORANT Champions 2022, a equipe da LOUD já está de volta ao Brasil e concedeu uma entrevista coletiva nesta quarta-feira (21) e falou sobre os objetivos para 2023, ano em que a lineup se mudará para Los Angeles para a disputa das franquias do VCT Américas. E segundo o jogador Gustavo "Sacy" Rossi, o objetivo do time é estabelecer uma verdadeira era da LOUD no FPS da Riot, com a conquista de pelo menos mais dois títulos mundiais.

Apesar da euforia pela conquista do VALORANT Champions, Sacy ressalta que ele a LOUD ainda estão longe de alcançar tudo que almejam, e que o grande objetivo para as próximas temporadas continuar evoluindo para se manter no topo do mundo por muito tempo, citando inclusive o domínio da Astralis, tetracampeã de Major, no Counter-Strike: Global Offensive.

"O meu objetivo continua o mesmo. Não era apenas ganhar um grande campeonato internacional, porque, para mim, ganhar um mundial e depois não ganhar mais não importa nada. Meu objetivo é criarmos uma dinastia, uma era, a era LOUD. eu sempre falo isso. Se formos falar de Counter-Strike, posso citar a Astralis, que conquistou vários Majors, então eu quero mais de um Champions, quero uns três. Esse é meu objetivo, que ainda não foi concluído, então para mim não mudou muita coisa", disse o jogador.

Embora o Brasil já possa ostentar hoje um título mundial de VALORANT, a LOUD ainda é a única equipe do país que conseguiu campanhas de destaque em grandes competições internacionais, com um título de VALORANT Champions e um vice no VALORANT Masters Reykjavík. Sacy também falou sobre o nível atual do cenário brasileiro de VALORANT e reiterou o desejo de ver mais equipes do país brigando no topo, e acredita que essa evolução já tem ocorrido, citando inclusive o fato de a FURIA, outra representante brasileira no Champions, ter feito jogos acirrados contra DRX e Fnatic, mesmo sendo eliminada ainda na fase de grupos.

"Falando do outro time brasileiro que esteve lá, a FURIA, foi quase. Ano passado eu, o Saadhak e o BZKA sofremos uma virada de 12 a 5, e este ano eles sofreram uma virada de 12 a 4 (contra a DRX), e é triste. Foi por pouco. Até mesmo na Islândia (Masters Reykjavík), a NIP esteve a um ponto de passar para os playoffs, no jogo contra a ZETA, que naquele Masters terminou em 3º lugar. Então os outros times brasileiros não estão longe das demais equipes, eles só bateram na trave", opinou.

Ainda sobre o tópico, Sacy discorda da análise de que o cenário brasileiro de VALORANT é fraco e que a LOUD é única equipe forte do país. Na opinião do jogador, o domínio absoluto da LOUD nas duas etapas do VCT BR 2022 se deve muito mais à força da atual campeã mundial do que a um cenário pouco competitivo.

"A galera via a LOUD ganhando invicta aqui no Brasil e falava que os outros times são muito ruins, porque não tiravam mapa da LOUD, só que isso é subestimar a nossa região, tanto que nós fomos lá no Champions e ganhamos o campeonato. Isso mostra que os times daqui não são fracos, mas sim que nós estávamos muito fortes, e a FURIA foi lá e surpreendeu (no Champions), disso eu tenho certeza. Junto como nosso título, acho que isso mostra que a nossa região tá chegando perto. Não existe em gap tão grande em relação aos times das outras regiões, como o pessoal acha", frisou.

Saadhak lamenta ausência da OpTic nas franquias

LOUD conquistou o título do Champions com revanche sobre a OpTic - Valorant
LOUD conquistou o título do Champions com revanche sobre a OpTic

Protagonistas da principal do VALORANT mundial em 2022, com seis confrontos no ano, três vitórias e um título para cada lado, LOUD e OpTic não se enfrentarão nas franquias em 2023. Apesar do excelente desempenho esportivo, com um título no Masters Reykjavík, um 3º lugar no Masters Copenhagen e um vice no VALORANT Champions, a equipe da América do Norte não conseguiu aprovação para as franquias, uma vez que a Riot colocou outros fatores à frente do desempenho esportivo ao escolher as 10 equipes que participarão do VCT Américas. A ausência da organização nas franquias foi lamentada pelo capitão da LOUD, o argentino Matias "Saadhak" Delipetro.

"Nós jogamos contra esseS caras seis vezes, então eu com certeza vou sentir falta de jogar contra eles. Foi sempre muito difícil enfrentá-los, e é uma lástima que não possamos mais jogar contra a OpTic. Contra os jogadores eu acho que nós vamos voltar a jogar, pois são jogadores incríveis e tenho certeza de que outras equipes vão contratá-los, mas não sei se vou voltar a jogar contra o time completo deles. Então, vou sentir saudades", comentou.

Antes dos dois confrontos na reta final do VALORANT Champions, a OpTic tinha uma vantagem de 3 a 1 sobre a LOUD em confrontos diretos, mas as vitórias na final da chave superior e na grande final do Mundial fizeram o time brasileiro não apenas empatar o placar do confronto direto, mas também vencer o duelo mais importante da temporada. Sobre a adaptação ao jogo da OpTic, Saadhak preferiu não revelar detalhes da preparação do time, mas ressaltou que a equipe identificou em quais pontos precisava melhorar para superar os rivais norte-americanos e canadenses.

"Eu acho que a nossa última derrota para a OpTic foi realmente muito importante, porque a gente conseguiu se fechar como time, mudar nossa metodologia de trabalho e identificar algumas falhas da nossa preparação. Obviamente, não vou entrar em detalhes específicos, mas isso foi determinante para deixarmos esse confronto direto parelho", pontuou o IGL (in-game leader) da LOUD.

Juntos desde os tempos de Team Vikings, Sacy, Saadhak e o técnico BZKA viveram um momento triste no VALORANT Champions 2022. No duelo contra a Gambit, que valia a 1ª colocação do grupo C e vaga direta nos playoffs, a VKS chegou a abrir 12 a 5 no terceiro e decisivo mapa, Icebox, mas acabou desperdiçando 7 match points e perdeu na prorrogação por 14 a 12. De uma quase classificação em 1º lugar, a VKS acabou eliminada ainda na fase de grupos ao perder também o confronto de segundo lugar para a Team Secret. No Champions 2022, com o trio jogando ao lado de Pancada, Aspas e Less, a LOUD se notabilizou como um time que protagoniza viradas, com destaque para o duelo contra a Leviatán nos playoffs, e Saadhak destacou o quanto a força psicológica do time fez a diferença desta vez.

"Quando nós tomamos aquela virada da Gambit, eu fiquei muito triste, muito triste mesmo, não vou mentir, mas nós sabíamos que foi por um problema psicológico que tivemos naquele jogo. Então, procuramos trabalhar muito a parte psicológica este ano este ano, nos transformamos no time que vira jogos, e em parte é por conta da boa preparação mental que tivemos (para esses momentos)", argumentou o jogador.

BZKA enaltece capacidade de adaptação da LOUD

LOUD se tornou primeira equipe sul-americana a ganhar um grande título internacional de VALORANT - Valorant
LOUD se tornou primeira equipe sul-americana a ganhar um grande título internacional de VALORANT

O técnico Matheus "BZKA" Tarasconi também falou sobre a força psicológica da LOUD para reverter situações desfavoráveis ou vencer mapas acirrados ao longo do VALORANT Champions, incluindo as vitórias sobre a OpTic em Ascent e Breeze na prorrogação, ambos na grande final do Mundial. Para o treinador, a LOUD demonstrou grande evolução neste aspecto durante a própria competição, o que acabou fazendo a diferença para a equipe fazer uma campanha invicta após a derrota para a OpTic logo na fase de grupos.

"Sobre a parte psicológica, durante o próprio campeonato eu acho que nós evoluímos muito. Nós conversamos o tempo todo, e acho que nossa preparação foi muito boa. Sobre o título, numa reunião nossa aqui no CT (centro de treinamento), nós traçamos que o grande objetivo da temporada era o Champions. Nós não esperávamos aquele vice na Islândia, então durante o ano inteiro nossa preparação foi para o Mundial. Nós sabíamos o que era preciso fazer para chegarmos lá e evoluímos muito durante o ano. Foi um processo longo e de muito aprendizado para jogadores, staff e muitas outras pessoas aqui dentro."

Até o momento, os seis grandes campeonatos internacionais de VALORANT - 4 Masters e 2 Champions - foram vencidos por seis equipes diferentes, o que reforça a dificuldade de um time estabelecer uma hegemonia no FPS da Riot. Para BZKA, mesmo as equipes campeãs precisarão de uma evolução constante se quiserem permanecer no topo, o que vale também para a LOUD na temporada de 2023.

"O cenário competitivo de Valorant é muito novo ainda. A cada campeonato os times que participam procuram trazer algo novo nas táticas, no modo de se jogar, e você é surpreendido. Então, muitas vezes um time ganha um campeonato, tenta manter isso (estilo de jogo) a temporada inteira e acaba ficando para trás em relação a equipes que conseguiram fazer essas mudanças na forma de jogar. Acho que esse é ponto mais importante para nenhuma equipe até hoje ter vencido dois campeonatos internacionais consecutivos", afirma o treinador.

Caçula do time da LOUD, o jogador Felipe "Less" Basso, de 17 anos, disse durante a coletiva que, após ser autorizado pela família, optou por fazer uma pausa nos estudos para poder se dedicar exclusivamente ao cenário competitivo de VALORANT em 2022. Com a iminente mudança para os Estados Unidos já no começo de 2023, Less falou que fará um supletivo para concluir os estudos e, logo em seguida, voltar a se dedicar exclusivamente ao competitivo de VALORANT.

"Eu tive que dar uma pausa na escola esse ano. Eu estava no 2º ano do ensino médio quando recebi a proposta da LOUD. Eu conversei com a minha família todos: irmãos, pai, mãe, avós. Todos me apoiaram muito, e eu vou fazer um supletivo para terminar o colégio, pois é muito importante. Eu só pausei os estudos por causa dessa oportunidade na LOUD. Se fosse qualquer outro time, eu não teria pausado, pois também existe uma cobrança da minha família por causa disso. Para a franquia eu ainda não sei, porque ainda estou descansando, mas o objetivo é terminar o supletivo e depois continuar jogando", disse.

Para Aspas, nível dos treinos vai subir com as franquias

Ao projetar a mudança para os Estados Unidos, o jogador Erick "Aspas" Santos acredita que a LOUD terá uma qualidade de treinos superior à do Brasil hoje. Na opinião do pro player, as equipes aprovadas para as franquias terão ainda mais capacidade de investimento e serão capazes de montar times mais fortes, contratando inclusive jogadores de destaque que hoje estão vinculados a orgs fora das franquias.

"Sinceramente, acho que nosso time vai evoluir, porque a qualidade dos treinos vai ser melhor. Os times da franquia também vão mudar e ficarão ainda mais fortes, então os treinos serão melhores e nosso time vai evoluir também."

Um dos principais destaques do VALORANT mundial ao longo de de 2022 e eleito MVP da final do Champions, Aspas teve uma postura autocrítica considera que, apesar dos elogios, teve um nível de jogo abaixo do apresentado no restante da temporada.

"Nesse campeonato eu senti que eu tive um desempenho abaixo comparado aos meus outros campeonatos internacionais, mas em certos aspectos eu senti que evoluí bastante, inclusive psicologicamente. Também aprendi algumas coisas de jogo e estava mais experiente, o que acabou sendo ótimo no fim", apontou.

Pancada celebra melhor momento da carreira

Eleito pelo portal The Spike, especializado em estatísticas de VALORANT, o melhor jogador do Champions 2022, Bryan "Pancada" Luna comemorou o melhor momento da carreira de pro player. Um dos principais jogadores da cena brasileira de Crossfire antes da migração para o FPS da Riot, Pancada agradeceu o reconhecimento da comunidade e de analistas e não escondeu a felicidade por apresentar seu melhor nível de jogo justamente no campeonato mais importante do ano.

"Fico muito feliz por ter esse reconhecimento da comunidade, pois isso mostra que o meu trabalho trouxe resultados. Desde a Islândia eu me sinto bem mais confiante par jogar internacionalmente. Desde o primeiro Masters que nós jogamos eu me sentia bem, mas sentia que eu não soltava tudo que eu podia. Na Dinamarca eu já senti que se tivéssemos ido mais longe, eu poderia ter mostrado muita coisa, e no Champions eu já consegui jogar muito bem, então fico feliz em ver que meu trabalho tá rendendo frutos.", comemora.

Foto de abertura: Colin Young-Wolff/Riot Games*

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Gabriel SALES
Gabriel Sales

Jornalista apaixonado por games desde o jardim de infância e fã de quase todo tipo de RPG, especialmente os da série Chrono. Nos esports, shooters e jogos de luta são minhas maiores paixões, mas abraço qualquer jogo com uma cena competitiva pulsante.

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