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Valorant Game Changers: Naxy, Daiki, bstrdd, nat1e drn falam sobre título e união da Team Liquid

Valorant Game Changers: Naxy, Daiki, bstrdd, nat1e drn falam sobre título e união da Team Liquid
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Jogadoras da Team Liquid falaram sobre a importância do torneio feminino, o que aprenderam umas com as outras em um ano e meio de time, desejo de chegar até o cenário misto e mais

A Team Liquid é a grande campeã do VCT Game Changers Serie 1 Brasil, principal torneio feminino de Valorant do país. Naxy, drn, bstrdd, daiki e nat1 venceram a Gamelanders Purple, time que fez uma ótima campanha na chave inferior do torneio, por 3 a 0 na grande final, garantindo o título da competição e a premiação de R$ 35 mil. Soberanas em um cenário no qual acumular uma série de primeiros lugares, as jogadoras da cavalaria contaram em entrevista coletiva para a imprensa após o torneio os segredos sobre a durabilidade do time, a confiança que possuem umas nas outras, o objetivo de chegar até o cenário misto e mais.

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A importância do VCT Game Changers

Com oito times compostos por mulheres e pessoas não-binárias: Team Liquid, Gamelanders Purple, B4 Angels, TBK Female, Stars Horizon Vênus, ODDIK Bright, Cleiteam e Tropicaos, o VCT Game Changers Series 1 Brasil teve também uma equipe de casters formada somente por mulheres: Barbara Gutierrez, Maah Lopez, Kakarota, Evelyn Mackus, Vicky, Babi, Anyazita, Chun, Letícia Motta, AMD, pannshi e Naoshii.

Isso sem falar nas mulheres que fizeram a cobertura jornalística da disputa, nas futuras pro players que assistiram o campeonato em casa, em outras mulheres da equipe de bastidores da Riot Games Brasil e por aí vai.

"Um campeonato desse porte, com todas as minas do Valorant competindo, toda a staff de caster ser composta por mulheres, é muito importante não só para o jogo, mas para todas as mulheres que fazem parte do cenário de alguma forma, então além de ser muito especial estar aqui e jogar essa lan na Riot, isso representa muito mais para todo mundo. É um momento muito importante para todas as meninas que querem jogar Valorant. Todo mundo saiu ganhando aqui", disse nat1 ao ser questionada sobre como se sentia não só sobre ser campeã do torneio, mas por fazer parte de algo tão grandioso.

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O psicológico da Team Liquid

Atualmente, a equipe feminina de Valorant da Liquid conta com um trabalho psicológico realizado pela psicóloga Natália Zakalski, que já fez parte de uma série de outros times de esports. Quando o time foi questionado sobre a preparação para o torneio no dia anterior ao título, Naxy e Nat1 falaram sobre a participação de Natália no time.

"Ontem foi um momento muito importante, diferente de todos os outros. Acho importante dizer que mesmo no dia anterior, treinamos o dia inteiro, sim, e no final tivemos uma conversa muito importante em time, em que nos juntamos com nossa psicóloga e todas choraram", contou Naxy.

Uma das vantagens dessa união é o time estar sempre em sintonia. Ao longo da série contra a Gamelanders, em alguns momentos a Liquid se viu atrás no placar, mas para nat1 em nenhum momento ela e seu time se sentiram perdidas.

"A questão psicológica depois de uma sequência de rounds perdidos passa muito pela confiança que temos umas nas outras. Quando sentimos que a coisa está desandando um pouco, que estamos dando uma dispersada, ainda assim confiamos que a Daiki tem um plano ou que podemos propor algo para sair daquela situação. É muito raro ficarmos perdidas dentro de jogo. A gente perde rounds, mas sabemos o porquê e como fazer para não perdermos mais, mesmo com o placar tão perto. A Nat [psicóloga] faz um trabalho incrível para a gente conseguir se manter dessa forma dentro de jogo".

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Durabilidade, a consequência da união e da confiança

Jogando juntas já há um ano e meio e com tantos títulos na conta, é impossível não associar as vitórias da Liquid a todo este tempo em que jogam na mesma equipe. Para naxy, o "segredo" é a união já citada anteriormente.

"Acho que isso é um pouco individual, mas do meu ponto de vista essa durabilidade vem da união que temos em determinados momentos, porque isso não é só um time. Eu passo mais tempo com elas do que com minha família, então não é só dentro de jogo, é fora dele também. O segundo ponto é não se acomodar. Todas aqui tiveram seus pontos de evolução ao longo de um ano e meio e não se deixar acomodar é a chave. Nunca vi nenhuma acomodada aqui e se aconteceu, voltou rápido porque percebeu que estava deixando o time para trás e que isso não funciona. Todas precisam entender no individual que a evolução tem que ser constante e acomodação é algo que esse time não tem".

"É nesse momento que eu agradeço muito nossa staff, o palestra e o Kamino. Eles não deixam a gente se acomodar, eles nos fazem ver o que o mundo está jogando. Eles fazem um ótimo trabalho atualizando a gente, trazendo para o nosso jogo como o resto do mundo está jogando, trazendo o meta para nós de uma forma bem didática", disse Daiki.

Neste um ano e meio, as jogadoras também aprenderam muito umas com as outras e contaram quais aprendizados foram estes:

"Eu comecei no cenário sem experiência alguma, então no começo do time eu era meio explosiva, não pensava nenhum pouco na hora de falar e isso machucava muito as meninas, porque eu literalmente falava o que vinha na telha e nem sempre era algo produtivo, eu só queria falar do que não tinha gostado. Melhorei muito nesse quesito por causa de todo mundo que foi me falando que eu poderia melhorar isso, que eu seria muito melhor se deixasse esse lado explosivo de lado. Isso foi algo que me marcou muito porque eu mudei não só em jogo, mas também no meu pessoal, com minha família e em relacionamentos amorosos"
Daiki
"Eu sempre tive um problema muito sério com confiança individual. Tenho uma confiança em que posso virar de costas e confio 100% delas, mas eu não tinha isso comigo mesma. Essa confiança individual é muito importante no jogo e na vida também. Quando a gente viajou eu passei por um término, por coisas que me afetaram muito e me deixaram triste, e naquele momento elas estavam do meu lado, elas que trouxeram minha confiança de volta, naquele momento elas que estavam ao meu lado e hoje eu sou uma player melhor e uma pessoa melhor graças a elas. Se antes eu não tinha confiança nenhuma, hoje eu tenho de mais, estou tentando achar um equilíbrio e só tenho a agradecer porque era muito triste eu não ter confiança em mim, aprendi isso com elas e mudou a minha vida"
naxy
"Ano passado eu era uma pessoa muito individualista jogando. Um dia em uma reunião elas faram 'Você tem que melhorar isso, isso e isso, porque está atrapalhando o time, você é muito dura'. Eu me achava a melhor do mundo, mas estava tendo uma atitude ruim. Melhorei muito nisso e agradeço ao time pela oportunidade, porque se não seu seria kickada. Meu time me ajudou muito a melhorar e é isso, obrigada, eu amo vocês", contou a jogadora, rindo
bstrdd
"Aprendi a conhecer o lado humano de cada jogadora que está ao meu lado todo dia. Eu aprendi a enxergar a Paola e não a drn, a Natalia e não a Daiki. Eu consegui isso ao longo desse tempo com essas conversas em que a gente colocava as coisas na mesa e ia se conhecendo cada vez melhor. O resultado tá aí hoje também por conta disso"
nat1
"As meninas falavam muito que eu era grosseira e sem paciência, talvez eu tenha melhorado só um pouquinho, mas uma melhora é uma melhora. Tudo me irritava e eu voltava isso para o time e para a staff"
drn
"Todo mundo era babaca, é isso", disse Daiki, rindo
Daiki

A jornada de Daiki até a função de IGL

IGL, a sigla de "in-game leader", é uma das funções mais importantes dentro de qualquer modalidade do esporte eletrônico, embora esta expressão esteja mais ligada aos jogos de tiro.

Atualmente, Daiki é a IGL da Team Liquid, mas durante a coletiva de imprensa, a jogadora revelou sobre como chegar nesta função foi desafiador.

"Quando o time começou como Gamelanders, a proposta da GL era juntas cinco players boas individualmente, mas isso não é tudo e demorou muito para a gente perceber isso. A gente odiava a palavra IGL, eu tenho certeza de que as meninas lembram disso. A gente evitava a todo momento o 'ser' IGL, porque sabíamos que cairia muita pressão em cima de uma pessoa - e isso é uma consequência com a qual o IGL tem que saber lidar, mas a gente não aceitava isso e ao longo do tempo, fomos precisando lidar porque apesar de todas serem boas individualmente, precisávamos de uma pessoa para comandar tudo.

Chegou um ponto no qual todos os times estavam começando a evoluir e a gente estava com medo de ficar para trás. A nat1 assumiu essa função por um tempo, mas estava pesando demais para ela e aí que eu entrei. E acho que passou pela cabeça de todo mundo eu ser a IGL porque eu falo muito e deu super certo, porque comandar um time que confia em você, e que além disso é muito bom, é uma delícia", contou Daiki.

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Soberania no cenário feminino e o desejo de chegar ao misto

Assim como a FURIA no CS:GO, a Team Liquid tem uma jornada bastante soberana no cenário feminino, como já aconteceu com outros times no Brasil. No entanto, todas no time fazem questão de ressaltar que não querem parar neste ponto.

"Eu sempre falo em todas as entrevistas, que eu quero estar no cenário misto, quero estar no Top 8 do VCT, quero jogar Masters, quero jogar aqui também, esse é meu principal objetivo. Sobre o cenário feminino e nossa soberania, o mais difícil não é chegar no topo, mas se manter nele, e lidamos com isso todos os dias. Chegou em um ponto em que evolui, evolui, evolui, mas acabamos batendo na trave. Estamos procurando ainda jeitos diferentes de evoluir para chegar lá, sabemos que precisamos focar em coisas específicas para conseguir chegar no nosso objetivo", disse Daiki.

"Acho que importante dizer que a gente não tem derrotas. A classificatória para o VCT foi triste para nós, por termos batido na trave não só uma vez, então é a invencibilidade é só no cenário feminino, que não é nosso único objetivo", acrescentou Naxy.

Mundial feminino de Valorant

A primeira edição do torneio feminino mundial de Valorant será realizada em Berlim, na Alemanha, entre 15 e 20 de novembro. A Riot informou que informará em breve como funcionará a definição da equipe que representará o Brasil na competição, mas com o título do maior torneio nacional do jogo, a Liquid é a equipe mais cotada para receber a vaga.

No entanto, com apenas oito times na disputa e somente uma vaga para o Brasil, a comunidade do jogo não está feliz com o anúncio e iniciou uma série de protestos contra a decisão da desenvolvedora.

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Beatriz Coutinho
Bia  - Repórter

Garota mágica formada em jornalismo que ama a sensação de assistir campeonatos e escrever sobre as histórias dos fãs de esports.

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