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Rainbow Six: Campeãs do Circuito Feminino, jogadoras da Fury almejam disputar Brasileirão no futuro

Rainbow Six: Campeãs do Circuito Feminino, jogadoras da Fury almejam disputar Brasileirão no futuro
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Em entrevista ao MGG, Bev, Dii, GaB, Pessima, PinkSouls e yElektra falam sobre evolução da equipe em 2020, importância de psicólogo e cobram maior apoio ao cenário feminino em premiações

Rainbow Six: Campeãs do Circuito Feminino, jogadoras da Fury almejam disputar Brasileirão no futuro

Atuais campeãs do Circuito Feminino de Rainbow Six pela Fury, Beatriz "yElektra" Silva, Dielle "Dii" Rocha, Lara "Pessima8" Alencar, Gabriela "GaB" Scheffer, Andressa "Bev" Bevilaqua Giovanna "PinkSouls" Fontenele simbolizam a diversidade regional e cultural que são parte indissociável do Brasil, mas nem sempre vistas com a mesma frequência nos esports. Afinal, as seis jogadoras, que se conheceram no servidor e em grupos de Whatsapp do R6, vêm de quatro regiões diferentes do país, e em menos de um ano de line-up foram capazes de desbancar a Black Dragons, equipe brasileira com mais títulos no cenário feminino, com um sólido 3 a 1 na grande decisão do torneio.

Com exceção de GaB e yElektra, naturais do Paraná, as outras quatro jogadoras são de quatro estados diferentes do país. Bev é do Amazonas, Dii, do Rio Grande do Norte, PinkSouls, do Piauí, e Pessima8, do Rio de Janeiro, mas a distância física não impediu que o entrosamento do time fosse quase instantâneo e rapidamente tornasse o sexteto, algo raro em times de Rainbow Six, uma força a ser batida.

“Quando eu migrei para o PC, lembro que comecei a participar de um grupo de meninas que jogavam R6, e lá eu conheci a Larinha. Formamos um time na época com outras meninas que nos foram apresentadas e em 2019 a Gabriela e a Dielle entraram. Em 2020, Pinksouls e Bev completaram a equipe, encaixaram certinho logo nos primeiros treinos e então mantivemos a line consolidada desde o primeiro bimestre do ano”, explica yElektra.

Dentro do Circuito Feminino, o sexteto da Fury é o único do país vinculado a uma organização estrangeira, e diferentemente do que costuma ocorrer no Brasileirão Rainbow Six, no qual as tags de fora costumam procurar os elencos que mais se destacam no país, foram as próprias jogadoras que procuraram a equipe australiana pouco antes do começo da temporada de 2020. Segundo yElektra, a parceria entre a Fury e as jogadoras só ganhou força depois da correria que antecedeu a assinatura do contrato.

“Foi tudo muito rápido. Faltava menos de uma semana para a inscrição do Circuito Feminino, a qual deveria ser feita já com uma organização, e o interesse surgiu bem nessa época. Entramos em contato com a Fury, apresentando o nosso time, nossos objetivos e classificações. A org se interessou pela proposta e assinamos o contrato um dia antes do fim das inscrições. O suporte é muito bom, não temos nada do que reclamar, pois a organização nos abraçou desde o primeiro mês de contrato e é uma paixão recíproca.”

O sucesso da equipe em 2020 também passa por escolhas pouco ortodoxas dentro de jogo, como a aposta em alguns operadores que não costumam figurar entre os mais escolhidos do meta e, por isso, dão à Fury um fator surpresa dentro das partidas. Desde agosto, na terceira e última etapa do Circuito Feminino que antecedeu as finais, a equipe está invicta. Segundo GaB, grande parte do sucesso do time se deve a essa coragem de assumir riscos, especialmente no confronto contra a BD na grande final.

“Nós começamos a fazer coisas diferentes, como usar operadores atípicos. Começamos também a utilizar mais estratégias variadas e apostamos nisso. Desde que começamos a estudar mais o jogo de uma forma coletiva, todas entraram em uma grande conexão e as coisas começaram a melhorar. A BD tem um estilo de jogo muito fechado quando está na defesa, e isso nos fazia trabalhar mais a agressividade em conjunto. Já no ataque não tinha tanto segredo, pois a BD vinha com as meninas sempre juntas e geralmente por um único lado, o diferencial delas era um team play muito organizado, miras cruzadas e muita agressividade.”

Embora dentro do servidor a Fury seja um sexteto, as jogadoras fazem questão de destacar um sétimo membro do time: o psicólogo Lucas “alt” Vieira, que segundo as próprias jogadoras tem papel fundamental na preparação da equipe em jogos decisivos. O profissional já acompanha Dii e GaB no competitivo de Rainbow Six desde 2018 e realiza tanto trabalhos individualizados quanto em grupo.

“O Lucas é uma das peças mais fundamentais da nossa equipe, e está junto com a gente desde o início, até mesmo na época que não tínhamos organização para representar. Na final contra a BD entramos com a cabeça tranquila e quando perdemos no mapa Club isso não impactou de uma forma negativa. Conversamos um pouco após o término do mapa e a gente manteve o mesmo ritmo dos dois primeiros jogos. Se vocês puderem ter um psicólogo que auxiliem vocês, tenham. É muito importante no nosso meio, ainda mais quando lidamos com pressão”, explica Dii.

Apesar da importância da preparação psicológica, a maioria das jogadoras do Circuito Feminino de Rainbow Six, a exemplo do que ocorre em outras modalidades, não pode se dedicar integralmente ao jogo, precisando conciliar a rotina de treinos com trabalho e/ou estudos. O mesmo ocorre dentro da Fury. Dii ressalta que esse é um dos principais obstáculos para uma evolução mais rápida do cenário.

“Na nossa equipe, eu e a Bia literalmente tentamos conciliar essa vida "dupla", digamos. De uma maneira geral, isso impacta diretamente nos nossos horários de treino. Quanto à falta de incentivo, principalmente financeiro, acredito que é uma das maiores dificuldades encontradas pelas equipes, pois afeta diretamente na permanência das equipes, como também no tempo e no esforço que conseguem colocar em cima de treinos e planejamentos, até porque ninguém consegue viver em cima do incentivo que é dado nos dias atuais.”

Além do pouco suporte financeiro, os ataques machistas que as jogadoras sofrem nos servidores também são um obstáculo para que muitas se interessem em entrar na cena competitiva, seja de Rainbow Six ou de outros esports. Pessima8 explica que mesmo com a Fury estando hoje na elite do cenário feminino, isso não impede que as jogadoras ainda sejam atacadas com alguma frequência dentro do servidor.

“Acho que é bem difícil encontrar uma player que nunca sofreu esse tipo de ataque, pois somos alvos dessa parte tóxica da comunidade, e infelizmente ainda acontece bastante. Hoje em dia nós não nos abalamos, mas no começo era bem difícil lidar com tudo, pois algo tão simples como usar nosso próprio nick era motivo de tomar trash talk, e isso também foi algo que trabalhamos com nosso psicólogo. Mesmo estando mais visíveis no cenário a galera não liga pra isso e os ataques continuam.”

Apesar das dificuldades enfrentadas dentro do cenário feminino, a Fury traça uma meta ambiciosa para o futuro: participar do Brasileirão Rainbow Six como primeira equipe formada apenas por mulheres competindo dentro da elite nacional do FPS da Ubisoft. Pessima8 considera que já há jogadoras dentro do circuito feminino com nível para competir com os homens, mas que dentro da Fury o objetivo é que todas as jogadoras cheguem juntas para competir no BR6, mesmo que eventualmente alguma delas receba proposta para atuar em uma line-up mista.

“Acho que toda proposta e reconhecimento devem ser apreciados, mas visamos estar num BR6 juntas e vamos lutar para que isso aconteça um dia. Muitas jogadoras do cenário têm nível de jogo bem alto e poderiam estar em um time da liga principal, mas ainda há certos “muros” que bloqueiam essa interação.”

PinkSouls, por sua vez, gostaria de ver um circuito com torneios internacionais dentro do cenário feminino, como o Six Invitational e o Six Major estão para o circuito principal de Rainbow Six, que embora preveja a participação de mulheres, na prática é formado por equipes 100% masculinas. A jogadora acredita que isso contribuiria para a evolução no nível das jogadoras que se dedicam ao competitivo do R6.

“Nosso time se prepara para todas as ocasiões, e também queremos nesse ano de 2021 nos preparar para outros campeonatos oficiais”, resume a MVP das finais do Circuito Feminino.

E se o fator financeiro é o que mais pesa para que muitas jogadoras acabem desistindo do cenário competitivo de Rainbow Six, Bev acredita que essa mudança deve ser promovida dentro do formato de premiação de torneios como o Circuito Feminino. A jogadora destaca a necessidade da dedicação das atletas precisar ser recompensada também financeiramente e não apenas com a transmissão de campeonatos ou premiações em periféricos e equipamentos.

“A falta de investimento nos times femininos é o que leva muitas meninas a parar de jogar, porque é difícil conciliar estudos, trabalho e o jogo sem ter nenhum retorno. Não falo só da questão dos times darem salários, mas também na questão da premiação que não ganhamos em dinheiro, ganhamos em produtos. Se o investimento melhorasse, muitas meninas voltariam a jogar e isso tornaria o circuito ainda mais competitivo”, frisa a jogadora, que destaca ainda que a maior profissionalização do cenário seria benéfica para a própria audiência dos campeonatos femininos, uma vez que com maior investimento, o nível do competitivo também tende a subir.

“Seriam vários jogos novos para assistir além dos que sempre estão lá, acho que fugiria da mesmice. Antes, nada sobre o circuito feminino era divulgado e as pessoas chegavam para a gente e falavam que nem sabiam que estava tendo jogo. Atualmente ainda há coisas que podem melhorar, mas houve uma grande evolução de reconhecimento até da própria Ubisoft, tratando nossos jogos como se fossem, e são, oficiais, divulgando nas principais páginas das redes sociais. Também tem mais um patrocínio, o que ajuda na premiação. Ainda não é o ideal, mas estamos alcançando nossas conquistas um passo de cada vez.”

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