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Rainbow Six: Alternância de campeões no cenário brasileiro mostra força da região

Rainbow Six: Alternância de campeões no cenário brasileiro mostra força da região
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Conquistas de NiP e Liquid nos Six Majors regionais e da MIBR no Brasileirão reforçam que país chegará como forte postulante ao título do Six Invitational 2021

Rainbow Six: Alternância de campeões no cenário brasileiro mostra força da região

No começo de 2020, quando a Ninjas in Pyjamas esteve a apenas três pontos de bater a Spacestation e conquistar o primeiro título mundial de Rainbow Six para o Brasil, uma coisa ficou evidente: o país finalmente havia conseguido apresentar um desempenho de altíssimo nível em uma competição internacional de tiro longo. Ainda que o título da Team Liquid na Pro League de 2018 seja extremamente importante e um feito histórico para o nosso cenário, nunca uma equipe daqui havia jogado num nível tão alto em uma competição que exige mais regularidade para se chegar longe.

Esse resultado da NiP, no entanto, não foi a melhor notícia para o R6 brasileiro em 2020, e sim o fato de a equipe de Psycho, Julio, Kamikaze, Pino e Muzi não ter dominado as competições nacionais ao longo do ano. Ao contrário, pois foi justamente a alternância de campeões em eventos como os Six Majors regionais de agosto e novembro, vencidos por NiP e Liquid, respectivamente, e o Brasileirão Rainbow Six, vencido no último fim de semana pela MIBR, que mostrou a evolução do R6 brasileiro como um todo.

Diferentemente do que se possa imaginar, o que impediu uma hegemonia da NiP não foi um declínio no nível da equipe, mas sim a evolução de rivais como Liquid, MIBR e da surpreendente Team One, que com um time formado por jovens talentos fez a melhor campanha da fase regular do Brasileirão e foi vice-campeã do Six Major de novembro, ainda que tenha fechado a temporada sem erguer uma taça.

Em edições anteriores de eventos de grande porte como o Six Invitational e o Six Major no formato global, o Brasil muitas vezes chegava a estes campeonatos depositando suas esperanças em uma ou duas equipes que viviam um ótimo momento, com esses mesmos elencos mais badalados do país caindo de forma precoce.

Foi o que ocorreu, por exemplo, com a Liquid no Six Major Paris de 2018, poucos meses após o título da Cavalaria na Pro League de Atlantic City, e com a Faze Clan, que dominou a fase regular do BR6 naquele ano e pouco depois conquistaria o título da competição de forma dominante. Ambas acabaram eliminadas ainda na fase de grupos.

Vice-campeã mundial em 2020, NiP continuou entre os melhores times do Brasil, mas não dominou a temporada (Foto: Divulgação/Ubisoft) - Rainbow Six Siege
Vice-campeã mundial em 2020, NiP continuou entre os melhores times do Brasil, mas não dominou a temporada (Foto: Divulgação/Ubisoft)

No Six Invitational de 2019, uma nova decepção para a torcida brasileira com duas das equipes mais fortes do país naquele momento. Sorteadas no grupo A junto com Fnatic e Team Reciprocity, Faze Clan e NiP chegaram muito cotadas para avançar aos playoffs disputando a liderança, mas ambas acabaram eliminadas ainda na primeira fase do torneio, além da Immortals (atual MIBR), eliminada com duas derrotas em dois jogos no grupo C.

Durante o Six Major Raleigh, também em 2019, NiP e MIBR novamente falharam em passar de fase. A Faze - única equipe brasileira a passar aos playoffs - caiu nas quartas de final após uma derrota para a Empire, que na sequência se sagraria campeã do torneio.

Os maus resultados sequenciais do Brasil nestes eventos não se deram por acaso. Por muito tempo, as equipes do país chegaram às grandes competições cotadas como postulantes ao título mesmo sem resultados que sustentassem essa ideia.

De modo geral, os melhores desempenhos de times brasileiros se deram principalmente na Pro League, com o título da Liquid em Atlantic City e os vices da Black Dragons, em São Paulo, e da Faze, na edição do Rio de Janeiro. No entanto, essas competições eram justamente as de tiro curto no calendário de eventos internacionais do R6, nas quais duas vitórias eram o bastante para chegar à decisão. Em eventos onde a regularidade é necessária, as decepções historicamente são maiores que os êxitos.

Título da Team Liquid na Pro League de Atlantic City ainda é a maior conquista do Brasil no Rainbow Six (Divulgação/ESL) - Rainbow Six Siege
Título da Team Liquid na Pro League de Atlantic City ainda é a maior conquista do Brasil no Rainbow Six (Divulgação/ESL)

Justamente por isso, a alternância de campeões em 2020 ano é animadora. Ao longo da temporada, que evidentemente acabou prejudicada em razão da pandemia de Covid-19, o Brasileirão e os Six Majors regionais foram palco de exibições de altíssimo nível de pelo menos quatro das cinco representantes brasileiras já garantidas no Six Invitational 2021.

NiP e Liquid brilharam pela regularidade ao longo do ano, ainda que em novembro os Ninjas tenham jogado um pouco abaixo do que apresentaram no Major de agosto. A Team One, por sua vez, dominou a fase regular do Brasileirão desbancando favoritas, e mesmo encerrando a temporada sem títulos, tem muito a comemorar pelo nível de jogo apresentado.

Já a MIBR, que sempre foi uma equipe marcada pela irregularidade, mostrou na reta final da temporada o que é capaz de fazer quando joga em seu melhor nível. Nos playoffs do BR6, desbancou Team One e Liquid sem perder mapas, e as chegadas de Cameram4n e Soulz parecem finalmente ter dado a liderança e o poder de fogo que faltaram em outros momentos.

Entre os times brasileiros no Six Invitational 2021, a maior incógnita paira sobre a Faze Clan, que tem promovido mudanças constantes em sua line-up e chegará ao mundial cercada por dúvidas. As saídas de Cameram4n e Mav parecem ainda não terem surtido o efeito esperado, e o time hoje parece muito mais frágil do que antes das dispensas de dois dos principais líderes da equipe desde os tempos de Team Fontt.

A aposta em jovens talentos, como ion, live e KDS, é sempre válida, mas tantas mudanças no intervalo de um ano, uma vez que ion substituiu HSnamuringa ainda em 2019, têm cobrado seu preço sobre uma equipe que sempre figurou pelo menos entre as duas melhores do Brasil.

Historicamente um dos melhores times do Brasil, Faze vive momento de incertezas após saídas de Cameram4n e Mav (Foto: Divulgação/Ubisoft) - Rainbow Six Siege
Historicamente um dos melhores times do Brasil, Faze vive momento de incertezas após saídas de Cameram4n e Mav (Foto: Divulgação/Ubisoft)

Nesse momento, dar tempo para que a atual formação finalmente se entrose parece ser mais importante do que entrar no Six Invitational considerando qualquer resultado diferente de um top 4 um fracasso. A NiP precisou desse tempo para que as entradas de Muzi e Pino surtissem o efeito desejado, e a continuidade do trabalho pôs a equipe mais perto de um título mundial do que qualquer outro elenco brasileiro jamais esteve.

É preciso ressaltar, porém, que embora o Brasil chegue ao próximo Six Invitational com pelo menos quatro equipes muito fortes, o título não deve ser tratado como uma obrigação. Hoje, além da Europa, que historicamente domina as principais competições internacionais, a América do Norte tem se mostrado uma região fortíssima, e o título da Spacesation no Invitational de 2020 é consequência dessa evolução. Além disso, a TSM, terceira colocada no último mundial, e a DarkZero, campeã do Six Major regional de agosto, também chegarão como fortes postulantes ao título.

Na Europa, BDS e Empire, campeãs dos Majors regionais de agosto e novembro, também são grandes candidatas ao título, e a própria G2, que ainda conta com Pengu e Kanto, integrantes do melhor time da história do Rainbow Six, tem potencial para fazer estrago na tabela e, quem sabe, voltar ao caminho das grandes conquistas após as saídas de Joonas, Goga e do capitão Fabian, pilares de uma uma formação que fez história no R6.

Ainda assim, é seguro afirmar que o Brasil nunca chegou a um mundial com um número tão grande de equipes com chances reais de conquistar o primeiro Six Invitational para o país. A mudança no meta do jogo para a próxima temporada pode embaralhar um pouco mais as cartas, mas é fato que estaremos bem representados, talvez melhor do que em momentos onde chegávamos com mais pompa nesses eventos do que chegaremos em 2021. Como o título da própria Team Liquid em Atlantic City provou, jogar menos pressionado pode ser extremamente benéfico.

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