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Major no Brasil: Por que o Rio é uma escolha acertada para sediar o Mundial de CS:GO

Major no Brasil: Por que o Rio é uma escolha acertada para sediar o Mundial de CS:GO
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Experiência em receber grandes eventos de grande porte e atratividade turística são pontos fortes da cidade. No quesito violência, Rio aparece na 18ª posição no ranking das 27 capitais com maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes

Major no Brasil: Por que o Rio é uma escolha acertada para sediar o Mundial de CS:GO

A escolha do Rio de Janeiro para sediar o primeiro Major de CS:GO da história realizado no Brasil foi recebida com euforia por grande parte da comunidade, mas também críticas por uma parcela que não considera a capital fluminense a escolha ideal para receber o evento, que será realizado de 31 de outubro a 13 de novembro e terá premiação total de US$ 1 milhão (R$ 4,72 milhões, na cotação atual do dólar).

Nas redes sociais, argumentos como o medo da violência apareceram com frequência, mas também houve críticas relacionadas à estrutura da cidade para receber o evento e comentários de que a Jeunesse Arena, na Barra da Tijuca, é um espaço pequeno para sediar o Major, havendo inclusive mobilizações para que a competição fosse movida para um estádio de futebol. Entre os estádios mais citados, apareceram o Maracanã, no Rio, o Allianz Parque, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba.

Neste artigo opinativo, o MGG Brasil apresentará quais aspectos fazem do Rio de Janeiro uma escolha acertada para sediar o Major, ainda que haja outras cidades do país perfeitamente capazes de receber futuras edições do Mundial de CS:GO.

Embora "pequena", Jeunesse Arena segue padrão adotado em todos os Majors até hoje

A procura por ingressos, como já era esperado, foi enorme e todas as entradas se esgotaram em uma hora, com várias críticas da comunidade à ESL e à Eventbrite, empresa responsável pela venda. Justamente por isso, a mobilização nas redes sociais para que o Major fosse mudado para um estádio de futebol, inclusive com algumas sugestões de palco fora do Rio de Janeiro, foi enorme. Entre os estádios mais citados, apareceram o Maracanã, no Rio, o Allianz Parque, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba.

Jeunesse Arena segue padrão das arenas que sediam Major de CS:GO (Foto: Divulgação / Jeunesse Arena) - Counter-Strike: Global Offensive
Jeunesse Arena segue padrão das arenas que sediam Major de CS:GO (Foto: Divulgação / Jeunesse Arena)

Com capacidade máxima para 18 mil pessoas, a Jeunesse Arena certamente é um espaço bem menor do que o público aficionado por CS:GO no Brasil, visto que mais de 710 mil espectadores chegaram a assistir simultaneamente a vitória da Imperial sobre a Cloud9 no PGL Major Antwerp, durante a live do streamer Alexandre "Gaules".

Se apenas 10% dos torcedores que acompanharam aquela partida decidissem comprar ingressos para o Major, seria necessário um estádio capacidade superior a 70 mil lugares, caso do Maracanã, para receber o Mundial de CS:GO.

Diante desse cenário, é natural que o público considere a Jeunesse Arena pequena, mas o local está totalmente dentro dos padrões dos Majors realizados no mundo até hoje. A efeito de comparação, somente dois locais que receberam o Mundial de CS:GO têm capacidade superior à Jeunesse Arena: o Sportpaleis Antwerpen, espaço capaz de receber até 23,5 pessoas, e Nationwide Arena, com capacidade para 20 mil espectadores.

Por isso, ainda que o cenário de demanda reprimida por ingressos seja real e as reclamações ao serviço da Eventbrite e da ESL sejam justas, o fato é que a Jeunesse Arena está perfeitamente adequada ao padrão estabelecido para todos os Majors realizados até hoje. O enorme sucesso na venda de ingressos, porém, abre a possibilidade para que futuras edições de Major no Brasil possam realizadas em estádios, e dada enorme procura por ingressos e audiência brasileira na PGL Antwerp, a tendência é que a IEM Rio seja apenas o primeiro, e não o único, Mundial de CS:GO que os brasileiros receberão nos próximos anos.

Capacidade máxima das arenas que receberam Majors de CS:GO

  • DreamHack Winter 2013 - Elmia Exhibition and Convention Centre (2 mil pessoas)
  • ESL One Major Katowice 2014 - Spodek Arena (11 mil pessoas)
  • ESL One Major Cologne 2014 - Cologne Exhibition Centre (9,6 mil pessoas)
  • DreamHack Winter 2014 - Elmia Exhibition and Convention Centre (2 mil pessoas)
  • ESL One Katowice 2015 - Spodek Arena (11 mil pessoas)
  • ESL One Cologne 2015 - Lanxess Arena (18 mil pessoas)
  • DreamHack Open Cluj-Napoca 2015 - Polyvalent Hall (10 mil pessoas)
  • MLG Columbus 2016 - Nationwide Arena (20 mil pessoas)
  • ESL One Cologne 2016 - Lanxess Arena (18 mil pessoas)
  • ELEAGUE Majot Atlanta 2017 - Fox Theatre (4,6 mil pessoas)
  • PGL Major Kraków 2017 - Tauron Arena Kraków (15 mil pessoas)
  • ELEAGUE Major Boston 2018 - G-Fuel ELEAGUE Arena (5 mil pessoas) e Agganis Arena (7,2 mil pessoas)
  • FACEIT Major London 2018 - SSE Arena Wembley (12,5 mil pessoas)
  • IEM Katowice 2019 - Spodek Arena (11 mil pessoas)
  • StarLadder Berlin Major 2019 - Verti Music Hall (4,3 mil pessoas) e Mercedes-Benz Arena (17 mil pessoas)
  • PGL Major Stockholm 2021 - Avicii Arena (16 mil pessoas)
  • PGL Major Antwerp 2022 - Sportpaleis Antwerpen (23,5 mil pessoas)

Além do fato de a Jeunesse Arena estar dentro dos padrões dos locais que costumam receber o Major de CS:GO, há outros fatores que precisam ser considerados quando falamos de eventos de esports em estádios de futebol no Brasil. Para aproveitar a maior parte das arquibancadas com presença de público, tanto o Maracanã quanto o Allianz Parque, por exemplo, precisariam montar estruturas cobertas para o palco onde ficam os jogadores.

Uma vez que a IEM Rio Major será realizada entre outubro e novembro, quando já é primavera no Brasil e as temperaturas passam com frequência da casa dos 30°C, seria preciso criar uma estrutura de palco climatizado e com cobertura no gramado, para não submeter os jogadores ao calor excessivo, e também ao risco de chuva. Isso acarretaria uma série de custos adicionais e uma mudança de logística que, hoje, a ESL e Valve não parecem dispostas a assumir.

Foi citado nas redes sociais que o Anfiteatro do Allianz Parque poderia receber o Major, uma vez que a final do CBLOL 2015 foi realizada lá. No entanto, a estrutura do anfiteatro, montada próxima das arquibancadas, tem capacidade máxima para 12 mil pessoas, então mesmo a arena em São Paulo precisaria passar por uma série de adaptações para receber um púbico consideravelmente maior que o da Jeunesse Arena, além do óbvio problema de mudança de sede do evento.

No caso do Maracanã, também precisaria ser montada uma estrutura de cobertura e climatização similar para que o Major fosse realizado no estádio, mesmo que não existisse o conflito de agenda com a última rodada do Campeonato Brasileiro em 13 de novembro.

Por fim, a Arena da Baixada, em Curitiba, precisaria passar por bem menos adaptações do que Maracanã e Allianz, por já contar com uma estrutura de teto retrátil, mas a capital paranaense, diferentemente de Rio e São Paulo, não tem um histórico de receber eventos de esports de grande porte e é uma cidade menos conhecida internacionalmente. No entanto, se um futuro Major de CS:GO for realizado novamente no Brasil e os organizadores optem por um estádio para receber a fase final do evento, o fator Arena da Baixada pode, sim, contar muitos pontos a favor de Curitiba numa disputa contra capitais mais conhecidas mundialmente.

O Rio figura mesmo entre as capitais mais violentas do país?

Rio de Janeiro é a 18ª entre as 27 capitais brasileiras na taxa de homicídios por 1000 habitantes - Counter-Strike: Global Offensive
Rio de Janeiro é a 18ª entre as 27 capitais brasileiras na taxa de homicídios por 1000 habitantes

A violência é, indiscutivelmente, um dos grandes problemas da cidade do Rio de Janeiro. Nas redes sociais, porém, alguns fãs de CS:GO superdimensionaram o problema. De acordo com o Atlas da Violência de 2019, a capital fluminense aparece em 18º entre as 27 capitais do país na taxa de homicídios por 100 mil habitantes, com 35,6. E o comparativo precisa ser feito entre as capitais pois são essas cidades que contam com a infraestrutura necessária para receber eventos no país.

Os dados em questão são sim alarmantes, especialmente se considerarmos ainda há outras 17 capitais no país mais violentas. No, entanto, este dado revela que também existe uma visão distorcida sobre a violência no Rio em uma parcela parcela da comunidade de CS:GO, que chegou a afirmar que a realização do Major na capital fluminense pode ser marcada por episódios de violência e, por isso, afastar a possibilidade de novos Majors no Brasil.

Em primeiro lugar, é preciso pontuar que em períodos de grandes eventos, o poder público, seja no Rio ou em qualquer outra cidade, reforça o esquema de segurança justamente para não haver problemas graves relacionados à violência, e eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada, ambos muito maiores do que o Major de CS:GO, foram realizados no Rio sem grandes problemas, mesmo exigindo esquemas de reforço muito maiores e mais elaborados do que necessário para um evento de quatro dias com presença de público

Além disso, bairros nobres da cidade do Rio, como a região da Barra da Tijuca onde ficam o Parque Olímpico e a Jeunesse Arena, contam com policiamento reforçado e não costumam ser os locais mais suscetíveis a episódios de violência. A tendência é que, no período do Major, o padrão de policiamento reforçado em eventos como o MSI 2017 e Pro League de Rainbow Six do Rio, realizada em novembro de 2018, seja repetido, talvez até mesmo ampliado, dada a enorme repercussão em torno do Mundial de CS:GO.

De modo geral, o poder público tende a cumprir nos grandes eventos um papel que deveria ser repetido durante todo o ano e em todas as áreas da cidade. No Rio de Janeiro, a parcela da população que mais sofre com a violência, inclusive policial, é aquela que mora em bairros pobres e favelas do Rio de Janeiro, a mesma parcela que dificilmente terá a chance de ir ao Major.

O Rio é hoje uma cidade partida pela violência, mas a parcela que mais sofre com ela não é aquela que terá condições financeiras de ir ao Major, tampouco os turistas vindos de outros estados e países e que se hospedarão em hotéis no entorno da Jeunesse Arena ou em outros bairros nobres do Rio.

No fim, os cuidados que os torcedores precisarão tomar serão os mesmos que qualquer brasileiro precisa tomar em uma capital do país, inclusive São Paulo, que aparece no Atlas da Violência como a capital com a menor taxa de mortes por 100 mil habitantes, com 13,2. Além disso, outras grandes capitais brasileiras também aparecem com números alarmantes nesse quesito, como Porto Alegre - com 47 mortes por homicídio por 100 mil habitantes - Florianópolis (30 mortes), Belo Horizonte (26,7) e Curitiba (24), ao passo que as capitais de estados regiões Nordeste e Norte são as que mais sofrem com o mais grave indicador de violência do país. Fortaleza lidera essa estatística, com 87,9 mortes por homicídio para cada 100 mil habitantes.

Capitais brasileiras com maiores taxas de homicídio por 100 mil habitantes segundo o Atlas da Violência 2019

  1. Fortaleza (CE) – 87,9
  2. Rio Branco (AC) – 85,3
  3. Belém (PA) – 74,3
  4. Natal (RN) – 73,4
  5. Salvador (BA) – 63,5
  6. Maceió (AL) – 60,2
  7. Recife (PE) – 58,4
  8. Aracaju (SE) – 57,4
  9. Manaus (AM) – 55,9
  10. Macapá (AP) – 54,1
  11. Boa Vista (RR) – 48,9
  12. Porto Alegre (RS) – 47,0
  13. São Luís (MA) – 46,9
  14. Goiânia (GO) – 40,7
  15. Teresina (PI) – 39,4
  16. João Pessoa (PB) – 38,9
  17. Porto Velho (RO) – 36,0
  18. Rio de Janeiro (RJ) – 35,6
  19. Palmas (TO) – 33,5
  20. Vitória (ES) – 30,6
  21. Florianópolis (SC) – 30,0
  22. Cuiabá (MT) – 28,8
  23. Belo Horizonte (MG) – 26,7
  24. Curitiba (PR) – 24,6
  25. Brasília (DF) – 20,5
  26. Campo Grande (MS) – 18,8
  27. São Paulo (SP) – 13,2

Transporte e infraestrutura serão um problema?

BRT deixa passageiros em frente ao Parque Olímpico - Counter-Strike: Global Offensive
BRT deixa passageiros em frente ao Parque Olímpico

Ainda sobre a realização do Major no Rio de Janeiro, surgiram questionamentos nas redes sociais sobre a infraestrutura da cidade para receber o evento, passando inclusive sobre o sistema de transporte da cidade para chegar à Jeunesse Arena. Até pouco antes da Olimpíada, o acesso à Barra da Tijuca era extremamente dificultado e suscetível a longos engarrafamentos, mas grande parte do problema foi resolvido com a inauguração da linha do metrô até o Jardim Oceânico e da linha do BRT que deixa os passageiros em frente ao Parque Olímpico e, consequentemente, ao lado da Jeunesse Arena.

Atualmente quem precisa chegar à Barra da Tijuca vindo do Centro, da Zona Norte ou da Zona Sul da cidade dispõe de linhas de metrô que cortam grande parte da cidade e que por meio de integrações levam até o Jardim Oceânico, de onde sai o BRT em direção ao Parque Olímpico.

Linhas de metrô ligam o Centro, a Zona Norte e a Zona Sul da cidade à Barra da Tijuca - Counter-Strike: Global Offensive
Linhas de metrô ligam o Centro, a Zona Norte e a Zona Sul da cidade à Barra da Tijuca

Embora o transporte público seja alvo de justas reclamações por parte da própria população carioca, especialmente em relação ao custo-benefício e problemas de superlotação, todos os fãs de CS:GO que estiverem na cidade do Rio poderão chegar à Jeunesse Arena sem encarar engarrafamentos, uma vez que a linha 4 do Metrô, que leva até o Jardim Oceânico, e de Linha 50 (Centro Olímpico) do BRT foram construídas também para facilitar o acesso ao Parque Olímpico durante os Jogos Rio-2016.

A exemplo do que ocorre com a segurança pública, quem mais sofre com os problemas da cidade referentes ao transporte coletivo é a população da cidade no dia a dia, principalmente em áreas pobres do município do Rio. Durante a realização do Major, a tendência é que a experiência vivida pelos fãs de CS:GO seja bastante similar à vivida pelos turistas que vieram à cidade durante os Jogos Olímpicos.

A Jeunesse Arena, por sua vez, é um espaço acostumado a receber shows internacionais e grandes eventos de esports, como foi o caso do MSI em 2017 e da Pro League Season 8 Finals de Rainbow Six. Ainda que o espaço seja sim menor do que público potencial brasileiro, a arena é mais moderna do que outras de porte semelhante que já receberam eventos de CS:GO no Brasil, como o Ibirabuera, em São Paulo, e o Mineirinho, em Belo Horizonte. Justamente por isso, o Major deverá ser realizado sem grandes problemas e abrir espaço para que futuras edições do Mundial de CS:GO ocorram novamente no Brasil, inclusive em outras cidades e, quem sabe, em estádios de futebol.

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Gabriel SALES
Gabriel Sales

Jornalista apaixonado por games desde o jardim de infância e fã de quase todo tipo de RPG, especialmente os da série Chrono. Nos esports, shooters e jogos de luta são minhas maiores paixões, mas abraço qualquer jogo com uma cena competitiva pulsante.

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