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Opinião: O silêncio da MIBR é um descaso com a torcida

Opinião: O silêncio da MIBR é um descaso com a torcida
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O clube não se comunica com os fãs há mais de uma semana

Opinião: O silêncio da MIBR é um descaso com a torcida

A MIBR está passando por um período de mudanças e reestruturação, o que não é novidade para ninguém. Neste período, existem alguns aspectos que levam tempo para se acertar, como a própria definição da line-up de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO) após a saída de Fernando "fer" Alvarenga e de Epitácio "TACO" de Melo e a subsequente ida de Gabriel "FalleN" Toledo ao banco de reservas. No entanto, o que é possível e necessário ser mudado para ontem é a comunicação e as relações públicas de uma forma geral do clube.

Como jornalista, sempre tive dificuldade em saber exatamente com quem falar na MIBR. A falta de uma assessoria de imprensa pesa em qualquer clube. Admito sem medo que era frustrante cobrir cada partida e cada passo da equipe todos os dias, ao mesmo tempo que havia pouquíssimas oportunidades para falar com os jogadores e produzir conteúdo com mais qualidade e informação.

Houve momentos nos quais o time não pisava no Brasil há quase um ano e, quando finalmente o faziam, afirmavam que não falariam com a imprensa. Confesso que não sei de quem partia a atitude, mas as poucas vezes em que estive frente a frente com FalleN e fer, por exemplo, fui muito bem recebido. É direito de qualquer um não querer falar, só não vejo motivos plausíveis para tal. Como eu e diversos colegas de profissão já cansamos de falar, a imprensa não é inimiga de ninguém.

Mas deixemos de lado um pouco a parte de assessoria, que apesar de importantíssima e de fazer parte deste texto não é o tema central que pretendo tratar aqui. Falemos de outra relação primordial em qualquer modalidade esportiva ou para qualquer produto: a relação com o público. Como anda o relacionamento entre MIBR e seus fãs? Eu digo que está como o de dois estranhos...

O dia 13 de setembro foi a última vez que a organização fez qualquer tipo de publicação em suas redes sociais. Na ocasião o comunicado falava sobre os desligamentos de Fer, Epitácio "TACO" de Melo e Ricardo "dead" Sinigaglia do time. Desde então, o silêncio é absoluto.

Nem mesmo a ida de FalleN para a reserva foi comentada. Na verdade, desde este fatídico dia, a torcida passou a se nortear pelas várias redes sociais dos pro players. Estes sim, mesmo neste período delicadíssimo e com a forma complicada que lidaram com o tema, tentaram contato com a torcida e informaram parcialmente o que sabem do seu estado atual. É válido lembrar quem nem tudo pode ser dito, pois todos ainda possuem contratos vigentes. Segundo fer, nesta semana aconteceria uma reunião para definir de vez o futuro das partes, provavelmente em uma rescisão amigável.

Digo mais, a falta de comunicação do clube e a tentativa dos jogadores de tomarem a frente nisso escancara mais um dos grandes problemas que a MIBR teve durante todos estes anos, que é o acumulo de funções nos atletas - mesmo que talvez eles pedissem por isso. Se não forem os players, não há um responsável direto pelo time e a partir do momento que os três mais experientes da line-up e o manager estão fora, não há um nome e muito menos um rosto que seja linha de frente e que possa assumir a responsabilidade de conversar com o torcedor, a imprensa e afins.

Antes de trabalhar como jornalista eu já era torcedor há anos. Para mim seria inconcebível ficar sem receber qualquer tipo de atualização das equipes que dediquei milhares de horas torcendo e apoiando. Eu era aquele tipo de fã que já acordava abrindo diversos sites de notícia de futebol e esports para saber das novidades gerais, mas principalmente das equipes que eu gostava. Sinceramente, não lembro de nenhuma organização que me deixou nove dias sem saber absolutamente nada do que estava acontecendo.

A exemplo do que foi dito no início deste artigo, tenho plena consciência de que o momento é duro. Uma reestruturação deste porte não pode ser feita da noite para o dia, pois requer calma e muita conversa para que a probabilidade de errar seja a menor possível. Ainda assim, nada disso é desculpa para deixar os fãs no escuro. A torcida quer saber ao menos que um trabalho está sendo feito internamente, quer saber que acontecerão reuniões... a esta altura os fãs querem saber de qualquer coisa que não seja este doloroso silêncio.

Nestes mais de dois anos de projeto é impossível dizer que o torcedor não apoiou incondicionalmente. Quando falamos deste assunto, três episódios vêm rapidamente à cabeça: o primeiro foi o vídeo feito com a Gamers Club em que alguns torcedores sorteados são convidados para dar palavras de apoio a uma câmera, sem saber que se encontrariam com o time completo em seguida. Muitos deles se emocionaram e não contiveram o choro ao se deparar com seus ídolos. Naquele momento nenhuma situação ruim importava e o que ficou foi a paixão de fã.

O outro foi o que vi com meus próprios olhos durante a BLAST Pro Series São Paulo 2019. A expectativa para ver a MIBR jogar em casa era gigantesca, o público compareceu em peso no Ginásio Ibirapuera e o resultado foi um 0/5 esmagador. Até mesmo no showmatch de 1vs1 os brasileiros perderam todos os duelos para completar o desastre colossal. Depois de tudo isso, FalleN saiu do camarim e foi até o estande da FalleN Store para dar atenção aos torcedores. Sinceramente, se estivéssemos falando de futebol, era capaz de ele correr risco de vida ali. Mas como nos esports a história é outra, o que vi na minha frente foi uma multidão desesperada para falar com o ídolo, tirar uma foto e pegar um autógrafo. Mais uma vez o resultado foi ignorado e a paixão permaneceu.

O terceiro momento é, na verdade, uma espécie de compilado. Falo dos diversos recordes que Alexandre "Gaules" Borba bateu em seu canal da Twitch ao transmitir jogos da MIBR. Muitos afirmam que os espectadores estavam lá apenas por causa do streamer - e isso com certeza não é verdade. É claro que ele também é responsável, pois cativou e juntou todos no mesmo lugar, mas se Gaules fosse o único motivo esses recordes não aconteceriam todos justamente nas transmissões de jogos da MIBR. Mesmo com a desconfiança nas alturas, havia uma faísca e os fãs estavam lá para torcer.

É verdade que existem os fãs mais exagerados. Aqueles que vão às redes sociais atacar e até ameaçar jogadores. Mas esta é uma parte irrisória que não consegue apagar o brilho dos verdadeiros apoiadores que cobram sim - afinal isso faz parte de ser torcedor - mas que sabem como fazer.

Depois de tanto apoio de um lado, espero ver o mesmo do outro. Não há momento melhor para se agarrar àqueles que querem o bem, mesmo em tempos complicados como o que a MIBR vive atualmente. Para deixar claro, o que cobrei aqui do início ao fim não é pressa e nem definições sobre line-ups. É apenas comunicação - o torcedor merece.

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